segunda, 24 de junho de 2019
Cinema
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Há 120 anos surgia o primeiro cinema da Paraíba, na rua General Osório

Celina Modesto / 16 de agosto de 2017
Foto: RAFAEL PASSOS
Dia 5 de agosto, aniversário de João Pessoa, fez exatamente 120 anos que a cidade teve sua primeira exibição cinematográfica exceto pelo fato de que não era um filme num cinema, mas uma “vista” de pouco menos de cinco minutos de duração num casarão localizado na Rua General Osório, onde funciona atualmente o “Terceirão”.

Tudo começou em 1897, de acordo com o escritor e presidente da Academia Paraibana de Cinema, Wills Leal, durante a comemoração da Festa das Neves. “O exibidor foi o italiano Nicola Maria Parente. Segundo o anúncio da época, foram exibidas ‘cinco surpreendentes vistas que deslumbram pela naturalidade de movimento, cobrando-se o preço de mil réis’. Já no século passado, em 1908, tivemos exibições no Teatro Santa Roza”, explicou o escritor. O primeiro cinema propriamente dito, ou seja, inaugurado para esta função, funcionou no Ponto de Cem Réis e chamava-se Pathe. À época, João Pessoa era uma cidade com apenas 30 mil habitantes, concentrada praticamente na parte baixa do Centro.

Em 1962, a cidade contou com a maior quantidade de cinemas em funcionamento: 14. “Havia, então, dois tipos de cinemas: os chamados lançadores, na parte central da cidade, e os dos bairros. O bairro que teve a maior concentração de cinemas foi Jaguaribe, com quatro, e a Rua da República, com três”, explicou. Leal afirmou que a frequência dos cinemas pessoenses era muito boa, embora as salas, além de pequenas, não oferecessem nenhum conforto.

Os cinemas Plaza, Rex e Municipal foram referências no que diz respeito ao cinema de rua em João Pessoa. “Vale destacar que, ao contrário da maioria do Nordeste, nossos exibidores eram ‘capitalistas’ locais. Nós não tínhamos casas filiais de outras cidades maiores, como Recife”, frisou. O Plaza foi o cinema que durou mais tempo na cidade. Foram quase 70 anos de história e exibições onde, atualmente, funciona uma loja. Por sua vez, o Rex, que funcionava no atual banco HSBC da Duque de Caxias, e o Municipal, que ficava onde hoje é um complexo de lojas, são os que conseguiram manter a arquitetura praticamente intacta. O que “destruiu” os cinemas de rua? Wills Leal é taxativo ao apontar a televisão como grande “culpada”.

“O fechamento de nossas casas de exibição, como ocorreu em todo o mundo, iniciado a partir dos anos 1960 do século passado, foi decorrente da chegada da televisão e, logicamente, reforçado pelo surgimento da web. Economicamente, foi marcante numa cidade de pouca atividade produtiva dar bons rendimentos aos seus proprietários de cinema, todos locais. Nos últimos dias, praticamente todos pertenciam a um tradicional exibidor: Luciano Wanderley”, contou Leal.

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