domingo, 21 de julho de 2019
Cinema
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Filme resgata palhaço histórico

Renato Félix / 10 de junho de 2016
Foto: Divulgação
Rir dele ou rir com ele? Nos primeiríssimos anos do século XX, não havia muitas oportunidades para um negro subir na vida na França. Para o africano Kananda restou se fingir de selvagem rosnante em um circo fuleira para incrédulas plateias brancas do interior. Até que o veterano palhaço Georges, em busca de algo novo que revitalizasse sua combalida carreira, propôs uma dupla e o rebatizou como Chocolate, um dos quatro filmes de hoje no Festival Varilux de Cinema Francês. A química entre os dois os levou a um sucesso – e problemas – não imaginados.

Vivido por Omar Sy, a história real de Chocolate ficou esquecida por anos na França. O resgate o colocou, junto com o parceiro Footit, como um revolucionário da arte da palhaçaria.

O filme de Roschdy Zem aposta na produção vistosa e na narrativa correta. Seu foco é mesmo a dupla central. Para viver Footit, ele convocou James Thierée cujo pedigree no assunto é difícil de competir: é neto de ninguém menos que Charles Chaplin, e a semelhança é visível (e possivelmente até ressaltada).

O filme resvala no melodrama, mas aborda bem o tema do racismo: naquele contexto, ser o "chutado" no número é nobre (por fazer rir) ou humilhante e racista? O processo de conscientização sobre seu lugar no mundo é o melhor de Chocolate.

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