quarta, 27 de janeiro de 2021

Cinema
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Filme dirigido por Jodie Foster é mais uma denúncia do mercado financeiro

Renato Félix / 05 de junho de 2016
Foto: Divulgação
Em seu primeiro filme como diretora (Mentes que Brilham, 1991), Jodie Foster já tinha mostrado o habitual talento que costuma mostrar em tudo. Por isso, é de espantar que, 25 anos depois, O Jogo do Dinheiro (2016). É verdade que os dois do meio não chegaram a encantar, mas este novo filme se tornou o seu melhor.

O Jogo do Dinheiro faz parte de uma cena pós-Lehman Brothers em que o mercado financeiro americano deixa de ser visto com glamour e, sim, pela ótica do cidadão comum, lesado enquanto outros enriquecem (O Lobo de Wall Street, 2014, e A Grande Aposta, 2015, são os expoentes dessa tendência).

Assim, George Clooneyé Lee Gates, o apresentador de um programa sobre finanças que adora ser engraçado. Mas um dia um homem armado invade o cenário: por causa de uma mudança surpreendente no mercado (e a dica errada de Lee), ele perdeu todo seu dinheiro.

Agora, ele quer respostas: como isso aconteceu e onde o dinheiro dele e dos outros afetados foi parar? A empresa diz que foi tudo um erro inexplicável dos computadores, mas ele não se convence. Forçando Lee a vestir um colete com explosivos, ele obriga o apresentador e sua diretora (Julia Roberts) a fazerem o que não fazem há muito tempo: jornalismo.

Jodie imprime ótima tensão na maior parte do filme. Concentrada em um único dia, a trama começa com a preparação normal do show, para depois se tornar quase um reality show: Kyle (Jack O’Connell), o agressor, exige que o programa continue no ar, e o filme ganha ares, também, do clássico Um Dia de Cão (1975).

Há outros bons momentos. Em certo momento, surgem cenas aparentemente aleatórias de Seul, Reykjavik e Johanesburgo, mas que depois entram na trama. E o filme quebra expectativas quando planos vão dando sendo frustrados. Mesmo a parte final, quando a coisa fica um pouco mais fantasiosa, reserva bons momentos.

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