sábado, 16 de janeiro de 2021

Cinema
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Filme com Buda Lira, ‘Lamparina da Aurora’, entra em cartaz no Banguê

André Luiz Maia / 06 de fevereiro de 2018
Foto: DIVULGAÇÃO
Um filme recheado de simbolismos e poesia resulta em um suspense com toques de terror. Trata-se de Lamparina da Aurora, filme do maranhense Frederico Machado. O filme, que conta com o paraibano Buda Lira em um dos papéis de destaque, está em exibição no Cine Banguê, do Espaço Cultural.

Acompanhamos o cotidiano de um casal idoso que mora em uma casa isolada do resto da sociedade. O que seria um ambiente de paz e silêncio se torna um local de estranheza com a chegada de um homem jovens carregado de segredos.

O paraibano Buda Lira foi convidado para a produção pela cineasta Rose Panet, envolvida na produção da obra de baixo orçamento. "O convite foi algo realmente pela experiência. Não nos foi oferecido cachê, só a cobertura dos custos básicos, como hospedagem e passagem. Fomos fazer o filme porque acreditamos no projeto", explica Buda. Para compensar a falta de pagamento inicial, os atores da produção entram como produtores associados.

O suspense psicológico ganha novos contornos por conta de um recurso narrativo escolhido pelo diretor: a ausência de diálogos. Ao invés das falas dos personagens, os espectadores da película são guiados por poemas do poeta Nauro Machado, que é pai de Frederico. Nauro, que faleceu no ano passado, chegou a gravar a declamação de todos os poemas utilizados no filme, se tornando então um narrador onisciente de toda a história.

Buda revela durante a entrevista que, no set, a experiência foi diferente. "Nós gravamos todas as cenas com falas, orientados por um roteiro. Quando assisti ao filme na Mostra de Cinema de Tiradentes, fui surpreendido ao ver que não havia nada do que falávamos. A poesia do Nauro que conduzia a narrativa. Ele foi experimentando e mudando algumas coisas ao longo da pós-produção", relembra Buda. O filme estreou em janeiro do ano passado na 20ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes e já conquistou ali seu primeiro prêmio, o de melhor filme (prêmio Carlos Reichenbach), na mostra competitiva Olhos Livres. É o terceiro longa-metragem de Frederico Machado, que já dirigiu anteriormente O Exercício do Caos e O Signo das Tetas. Além de Buda, o filme também conta com a presença de Antônio Sabóia (O Lobo Atrás da Porta) e Vera Leite.

O filme foi gravado durante 20 dias em um casarão abandonado em São Luís do Maranhão. De acordo com o diretor Frederico Machado, se trata de uma experiência aberta.

"Eu sempre vou para o set de filmagem com a mente aberta para deixar as circunstâncias da vida real afetarem o resultado final do que é visto na tela", comenta.

As cenas com os atores, como dito anteriormente, não tiveram diálogos escritos em um roteiro. "Nós conversávamos sobre cada cena que iríamos gravar e sobre o que os personagens estavem pensando e, principalmente, sentindo. Eu tentava dar sensações para que os autores trabalhassem com elas. Chegamos até a improvisar alguns diálogos na hora", relembra o diretor.

A ideia de inserir os poemas de seu pai só vieram depois. "Eu captei as declamações que ele fez dos poemas poucos meses antes de sua morte e eu não pretendia usar em uma produção minha, era apenas um registro. Mas as circunstâncias foram me mostrando que aquilo poderia enriquecer a experiência na tela", argumenta Frederico.

O narrador acaba funcionando como um guia que, mais do que revelar sobre o enredo, joga questões para que o público pense sobre algumas questões abordadas pela obra.

Na mesma linha de cinema independente, Machado está finalizando o seu quarto longa-metragem, intitulado Boi de Lágrimas. A obra deve estrear no circuito dos festivais ainda no primeiro semestre deste ano.

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