terça, 25 de junho de 2019
Cinema
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Fest Aruanda tem filmes sobre Planet Hemp e Torquato Neto

André Luiz Maia / 05 de dezembro de 2017
Foto: DAN BEHR/ DIVULGAÇÃO
Duas cenas musicais na mostra competitiva de longas, nesta terça-feira, no Fest Aruanda: o longa-metragem biográfico Legalize Já!, sobre a história do Planet Hemp, e o documentário Torquato Neto – Todas as Horas do Fim, sobre uma das figuras importantes da contracultura brasileira.

Legalize Já! ficcionaliza momentos seminais da criação do Hemp, um fenômeno social dos anos 1990. Pelas ruas do bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, as vidas de Luís Antonio Machado, o Skunk (Ícaro Silva), e Marcelo (Renato Góes) se cruzam. É nessa relação que o filme se sustenta, ao mostrar como Skunk buscava incentivar um inseguro Marcelo (que depois viria a assumir o nome artístico de Marcelo D2) a investir na carreira da música.

Apesar do título, Legalize Já! não centra sua narrativa na questão da descriminalização do uso da maconha, uma das principais bandeiras levantadas pela banda. Gustavo Donafé, que dirigiu o filme ao lado de Johnny Araújo, explica o significado do título.

"Nós percebemos que a história do grupo ia além disso. Era um movimento de jovens periféricos, marginalizados, que não eram ouvidos e que defendiam a plena liberdade de se vestir, de se comportar e de agir da forma como bem quisessem. Era um grito de liberdade", pontua.

Gustavo e Johnny chegaram ao nome de Renato Góes para interpretar D2 por conta de Por Trás do Céu, filme de Caio Sóh ambientado no interior da Paraíba. "A gente notou que Renato tinha um brilho no olhar, algo que a gente vê muito no D2. Na hora, achamos que ele seria perfeito para o papel", explica.

Tropicália. Não se assuste se não conhecer Torquato Neto pelo nome, ele realmente é um nome importante, porém pouco celebrado. Muito disso também vem de sua morte precoce, com 28 anos. Suicidou-se. Sua morte, por sinal, inspirou Caetano Veloso a escrever a filosófica "Cajuína". Mas a contribuição do piauiense para a música brasileira foi grande, já que seus versos foram musicados e interpretados por praticamente todos os expoentes do movimento tropicalista.

"É um cara que participou de muitos momentos importantes, de mudança da cultura brasileira, e que estava na obscuridade. Nossa ideia era jogar uma luz, mostrando quem ele foi, quem ele fez", explica Eduardo Ades, que dirigiu o documentário ao lado de Marcus Fernando.

O processo de pesquisa, elaboração e apresentação do projeto como um todo ultrapassou os cinco anos. Após uma pesquisa extensa, os editores passaram um bom tempo discutindo como trariam a história de Torquato para o formato audiovisual. O medo era encaixotá-lo em uma narrativa excessivamente padronizada, que não combinava com o espírito do poeta e de sua contribuição para a arte.

Os primeiros minutos do filme são apresentados pela voz do ator Jesuíta Barbosa, com seu sotaque característico, recitando versos que Torquato teria usado em sua carta de suicídio. Depois, são inseridos depoimentos de amigos, familiares e contemporâneos, todos eles com efeitos de câmera super 8, formato no qual Torquato faria suas aventuras como cineasta.

Ele também estrelou algumas produções, como Nosferatu no Brasil, de Ivan Cardoso. "Usamos algumas dessas imagens para ilustrar sua figura ao longo do filme. Em relação a imagens, até que havia uma quantidade considerável. O problema era a voz. Somente com a pesquisa é que fomos encontrar áudios, fazendo com que sua voz voltasse a ser ouvida 40 anos depois", completa Ades.

Corrupção. As sessões do festival começam hoje pela mostra do concurso de vídeos de um minuto sobre a corrupção. São três classificados: Cimento, de Apollo Costa; Corrupção Cotidiana, de Jéssica de Sales Santos; e Gênese, de Márcio Lins. É a segunda edição do concurso, uma realização da CGU/ PB, da UFPB e do Fórum Paraibano de Combate à Corrupção (Focco). A sessão, às 13h30, também terá a cerimônia de premiação.

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