sexta, 19 de julho de 2019
Cinema
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Favorito ao Oscar, ‘A forma da água’ estreia nesta quinta-feira

André Luiz Maia / 01 de fevereiro de 2018
Foto: Divulgação
Uma relação de amor improvável, que terá que enfrentar obstáculos políticos, sociais e até mesmo biológicos para ser concretizada. Parece piegas descrever A Forma da Água assim, mas Guillermo del Toro, indica os críticos, entrega um filme belo, sensível e erótico. A estreia nacional é nesta quinta-feira (1º), incluindo João Pessoa.

A obra recebeu o maior número de indicações ao Oscar deste ano. Nada mal para um filme com orçamento de US$ 19,5 milhões, bastante modesto para os padrões de Hollywood (e ainda mais para um filme de fantasia.

A trama é ambientada no auge da Guerra Fria, durante a década de 1960. Um agente do governo norte-americano (Michael Shannon) encontra uma criatura humanóide em algum lugar da América do Sul, chamada de Deus pelos nativos locais. Os militares querem estudá-lo e saber como aquilo os ajudaria a derrotar os comunistas russos.

Nesse contexto, a faxineira muda Elisa (Sally Hawkins) acaba entrando em contato com a criatura. Com a ajuda da melhor almiga, Zelda (Octavia Spencer), o liberta e leva para casa. Tudo começa a se transformar em um romance e o diretor não poupa a audiência de mostrar que aqueles personagens, por mais improváveis, se tornarão cada vez mais íntimos.

Sexualidade

O desempenho de Sally Hawkins vem sendo bastante elogiado, a colocando como uma das favoritas ao prêmio de melhor atriz, ao lado de Frances McDormand em Três Anúncios para um Crime. A personagem de se comunica através da linguagem de sinais, o que rende alguns momentos divertidos.

Seu personagem se destaca também por ser um retrato mais complexo de uma mulher muda, algo raro no cinema. Sua personagem possui desejos e vontades, é doce, porém sexualizada e firme quando precisa ser. Sem revelar muito da trama do filme, logo nos momentos iniciais, é revelada a rotina de Eliza, que inclui cenas de masturbação.

O diretor Guillermo Del Toro deu uma entrevista para a série Spotlight da IndieWire Awards, e quando questionado sobre a necessidade dessa sequência explica que o objetivo é mostrar a sexualidade feminina como algo natural, o que ele mesmo reconheceu que raramente é feito na sétima arte. "Estamos acostumados ​​a nunca representar a sexualidade feminina ou para representá-la de uma forma glamourosa e artificial. A maior parte da sexualidade no filme não tem glamour, incluindo o momento em que se juntam, o anfíbio e ela, é feito de uma maneira muito humana, abrangente e naturalista. Aos poucos se apaixonará pela criatura", pontua o diretor.

Essa mesma sequência cotidiana já antevê o que acontecerá ao mostrar a relação da personagem com a água. "Queria mostrar a maneira como ela sonha com a água, usa água para ferver seus ovos, e logo vai e entra na água, e se masturba, aquece seus sapatos e vai para o trabalho, uma rotina perfeitamente aceitável por qualquer padrão", explicou Del Toro.

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