segunda, 23 de abril de 2018
Cinema
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‘Eu, Tonya’, indicado ao Oscar, estreia nessa quinta-feira em JP e CG

André Luiz Maia / 01 de Março de 2018
Foto: Divulgação
A patinadora artística Tonya Harding já era conhecida por ter sido a primeira mulher norte-americana e a primeira mulher em competições internacionais a executar com perfeição o axel triplo, um complexo salto até então só realizado por homens. No entanto, o que realmente colocou seu nome em evidência em todos os noticiários nacionais e internacionais foi um caso de polícia´, centro das atenções no filme Eu, Tonya, que estreia nesta quarta-feira (1º) e deve dar o Oscar de atriz coadjuvante a Allison Janney no domingo (4).

Em 1994, Tonya viu sua carreira ir ladeira abaixo por conta de suas conexões com o ataque sofrido por sua principal adversária, Nancy Kerrigan. Um golpe de bastão quebrou o joelho de Nancy poucos dias antes de uma importante competição que garantiria vaga para os Jogos Olímpicos de Inverno. A suspeita é que Tonya e seu marido, Jeff Gillooly, tenham sido os mentores do crime.

O que poderia ser um filme dramático, pesado e com clima de investigação criminal se transforma em uma comédia politicamente incorreta. É até estranho usar o termo “comédia” aqui, mas é exatamente isso. Altas doses de sarcasmo e acidez transbordam dos diálogos de Tonya (Margot Robbie, indicada ao Oscar e também uma das produtoras executivas) e da direção do australiano Craig Gillespie.

Mas não se trata de uma tentativa banal de fazer graça. O humor floresce de maneira inteligente ao mostrar o ambiente familiar tóxico no qual Tonya cresce, algo que continua presente durante o relacionamento com o marido (Sebastian Stan). Allison Janney é LaVona, a excêntrica e inacreditavelmente cruel mãe de Tonya, papel que já rendeu o Globo de Ouro, o SAG e, na Inglaterra, o Bafta.

O filme se apropria em alguns momentos da estética do documentário e de entrevistas ao reproduzir com os atores depoimentos reais dos envolvidos na história.

LaVona chama a atenção nesses momentos e o público pode achar a caracterização de Janney caricata. No entanto, ao ver a entrevista real dada a um canal de TV norte-americano (disponível no YouTube), percebe-se a fidelidade e o cuidado no trabalho que a atriz entrega.

Ponto de vista

Apesar de não “absolvê-la” da responsabilidade por seus atos, a produção claramente se dispõe a contar os fatos sob o ponto de vista de Harding, a começar pelo título do filme. Eu, Tonya nos apresenta em sua protagonista o exemplar xucro de uma classe média que se choca diretamente com a imagem idealizada do “sonho americano”.

Por conta disso, não parecem gratuitas as cenas em que os juízes das competições de patinação insistem em dar notas abaixo do notável desempenho de Tonya na patinação artística. A antipatia da bancada se dava, principalmente, por sua postura dentro e fora das pistas e suas escolhas pouco ortodoxas.

Sem dinheiro, a própria mãe de Harding costurava suas roupas, menos refinadas que a de suas concorrentes, resultando em um visual “desleixado”. Outro contraste se dava por conta das músicas que ela escolhia para suas performances. Ao invés do refinamento de peças clássicas, ela preferia se apresentar ao som de música pop, como “Sleeping bag”, do ZZ Top, e os temas dos filmes Jurassic Park e Batman.

A atriz Margot Robbie falou em diversas entrevistas que o que a motivou a contar a história de Tonya nos cinemas se deu principalmente por sua vontade em mostrar por outra perspectiva uma história que acabou demonizando uma figura que é resultado de uma situação complexa. Eis, então, uma radiografia da patinadora.

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