terça, 26 de janeiro de 2021

Cinema
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Documentários sobre músicos estreiam no Fest Aruanda

André Luiz Maia / 30 de novembro de 2017
Foto: Divulgação
Mora em João Pessoa e adora cinema? O Fest Aruanda é, então, parada obrigatória para os cinéfilos de plantão. Considerado um importante festival no cenário nacional, o evento inicia nesta quinta-feira (30) sua décima segunda edição apresentando de cara uma característica forte da seleção de filmes esse ano: a presença da música.

Na abertura, fora de mostras competitivas, o Aruanda recebe a estreia em cinemas paraibanos de Clara Estrela, documentário dirigido por Susanna Lira e Rodrigo Alzuguir sobre uma das cantoras de maior sucesso e repercussão de nossa história recente, Clara Nunes. No longa, acompanhamos sua trajetória rumo ao sucesso pelas palavras da própria Clara, através de entrevistas concedidas para a televisão ou mesmo para jornais impressos, com diálogos interpretados pela atriz Dira Paes.

Apesar dos mais de 30 anos que se passaram desde sua morte, a história de Clara Nunes, na opinião da diretora, é muito atual. "O filme mostra uma mulher que em plena Ditadura Militar falava sobre a importância de ter uma profissão e independência financeira. Também fala sobre intolerância religiosa, já que ela foi a primeira grande figura pública a se declarar como seguidora de religiões afro. São temas que discutimos até hoje", declara Susanna Lira, em entrevista ao CORREIO.

A ideia de fazer um documentário sobre a cantora surgiu em 1998, quase vinte anos atrás. Os irmãos Renata e Rodrigo Alzuguir fizeram uma pesquisa extensa nos arquivos históricos, incluindo até mesmo visitas à pequena Caetanópolis, em Minas Gerais, terra natal de Clara. Susanna entraria no projeto em 2004, motivada pelo trabalho da dupla.

"Era uma pesquisa muito boa e completa. Não existia um produto audiovisual que contasse a história de Clara e era preciso. A gente só demorou a chegar nesse formato. Optamos por não fazer um documentário com depoimentos de pessoas que conviveram com ela, o que deu muito mais trabalho. A situação dos arquivos e da memória em geral aqui no Brasil é problemática, tudo é muito maltratado", reclama a diretora.

O evento continua acontecendo na rede Cinépolis de cinemas, no Manaíra Shopping, que em 2017 recebe uma homenagem por ceder uma sala por uma semana inteira para a realização do festival, que não cobra ingressos. O Fest Aruanda também homenageia o ator Servílio de Holanda, ao diretor Ivan Heblarov e ao cineasta Ruy Guerra, que ganha mostra retrospectiva.

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