domingo, 09 de maio de 2021

Cinema
Compartilhar:

Documentário ‘Todos os Paulos do Mundo’ chega em breve a JP

Renato Félix / 08 de maio de 2018
Foto: Divulgação
“O Brasil ainda faz o melhor cinema brasileiro do mundo”. Essa frase é de um especialista no assunto, um dos maiores atores do nosso cinema: Paulo José. Aos 81 anos e vivendo há mais de 30 com o mal de Parkinson, ele se mantém ativo e lúcido e participou bastante do saboroso documentário que o homenageia: Todos os Paulos do Mundo, que tem estreia nacional nesta quinta e chega em João Pessoa nas próximas semanas, embora ainda não haja uma data precisa anunciada.

O doc dirigido, escrito e montado por Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira é assumidamente um filme de arquivo. Há pouquíssimas cenas de Paulo José atualmente: algumas cenas em casa, uma festa de aniversário. A quase totalidade é construída através de cenas memoráveis de seus filmes, principalmente, e alguma coisa da TV.

“Desde o princípio o filme foi planejado assim: contar a vida dele através de seus personagens", conta Gustavo Ribeiro.

Não há depoimentos, também. As vozes de atores e familiares dão vida a trechos de entrevistas de Paulo publicadas na imprensa escrita em diversas épocas e da biografia em primeira pessoa Memórias Substantivas, de Tânia Carvalho, da Coleção Aplauso. Em outros momentos, é a voz do próprio Paulo que surge, oriunda de diversos registros. Com isso, o filme vai construindo a trajetória do ator e diretor.

“Quis dar o tom dessa coisa ‘babel’, coisa ‘todos os paulos’, não só na imagem, mas também na voz”, conta o diretor. “Certa confusão, no bom sentido”.

A referência à história bíblica não é à toa: o documentário começa com a voz de Paulo José narrando o conto, trecho extraído de 500 Almas (2005), de Joel Pizzini. É apenas um de 33 filmes utilizados. O título (e o cartaz) é uma referência a um dos mais importantes trabalhos de Paulo: Todas as Mulheres do Mundo (1966), um dos filmes em que ele fez par com Leila Diniz e foi dirigido por Domingos Oliveira.

Edu, Coração de Ouro (1967), O Padre e a Moça (1965), Macunaíma (1969), Faca de Dois Gumes (1989), Saneamento Básico (2006), Dias Melhores Virão (1989) e Benjamin (2004) são alguns outros filmes que aparecem.

O espectador, no entanto, não vai ter a informação de que filme está aparecendo a cada momento. Sem créditos, eles apenas são relacionados nos créditos finais. “Acima de tudo, o filme é sobre o Paulo”, explica Ribeiro. “Creditar os filmes não muda nada para o entendimento do quem é o Paulo José. E são muitos filmes, é muita informação: tem a cena, tem o áudio... Mas espero que o público se interesse em ir atrás daqueles filmes. Hoje em dia não é tão difícil”.

Paulo José já viu o filme várias vezes. Algumas em sessões em festivais. Mas a primeira foi em sua própria casa. “Quando a gente fechou o corte, mostrou pra ele”, conta o diretor. “Foi uma sessão bastante emocionante. No dia seguinte, ele fez uma lista de observações. Ele é um cinéfilo e um cara que está no cinema há muitos anos. Foi muito cirúrgico, mas nos deixou à vontade como diretores”.

Reunidas em uma grande seleção, as cenas de Paulo José formam um impressionante registro do trabalho desse ator – e, por tabela, o próprio cinema brasileiro. “Paulo José é o ator mais importante do cinema brasileiro. Vivo, com certeza”, diz o diretor. “Se fosse americano, francês ou italiano, já teria ganhado o Oscar. Ele está no Olimpo do cinema. Quem assiste nosso filme ou os filmes dele percebe isso”.

Relacionadas