terça, 13 de abril de 2021

Cinema
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Documentário colhe depoimentos sobre efervescência cultural em Jaguaribe

André Luiz Maia / 24 de outubro de 2017
Foto: DIVULGAÇÃO
Os moradores de João Pessoa com mais de 50 anos devem lembrar que o bairro de Jaguaribe, próximo ao Centro da cidade, já foi considerado um ponto de intensa vida cultural. Com a expansão da cidade e sua consequente descentralização, isso mudou de figura. O diretor e produtor Mirabeau Dias pretende fazer um resgate desse capítulo da história com o documentário Meu Jaguaribe, lançado amanhã.Os moradores de João Pessoa com mais de 50 anos devem lembrar que o bairro de Jaguaribe, próximo ao Centro da cidade, já foi considerado um ponto de intensa vida cultural. Com a expansão da cidade e sua consequente descentralização, isso mudou de figura. O diretor e produtor Mirabeau Dias pretende fazer um resgate desse capítulo da história com o documentário Meu Jaguaribe, lançado amanhã.A sessão inaugural acontece em Jaguaribe, no Centro Cultural Ariano Suassuna, do Tribunal de Contas do Estado, com entrada gratuita. O longa traz em seus oitenta minutos depoimentos de pessoas que residiram ou ainda residem no bairro, revelando em seus relatos histórias e costumes da época, principalmente entre os anos 1940 e 1950. Genival Veloso, Carlos Pereira, Carmélia Brito e João Batista de Brito são alguns dos que aparecem em cena para tanto. “São relatos sentimentais de uma época que ficou eternizada nas mentes dessas pessoas”, pontua Mirabeau. Para ilustrar essas memórias, o filme conta com uma iconografia extensa, fruto de uma longa pesquisa realizada pelo próprio Mirabeau. “São fotos, algumas delas inéditas, encontradas em arquivos públicos, bibliotecas, nos registros da Prefeitura, acervo pessoal de fotógrafos da época e até mesmo de moradores”, relata o cineasta. Os costumes do bairro eram centrados especialmente na Igreja do Rosário, localizada no cruzamento das ruas Primeiro de Maio e Frei Martinho. “Ela se constituía em um ponto muito importante para os moradores, eminentemente católicos. O centro religioso era parte fundamental da organização social do bairro”, conta.Mas a história do bairro não se resume apenas à questão espiritual. Jaguaribe já teve um time de futebol, que chegou a ser campeão estadual, o Estrela do Mar. Também foi lá que surgiu o primeiro campo de futebol da cidade, em virtude das atividades do time. Também é celeiro de músicos talentosos. Na trilha sonora, duas músicas inéditas, de Livardo Alves e do maestro Zé Pequeno, músicos jaguaribenses que fizeram história na vida cultural da cidade. Quem mora hoje em dia no bairro e seja mais novo talvez não tenha noção, mas Jaguaribe já chegou a ter três cinemas. Eles, inclusive, foram fundamentais para um jovem morador local, que passou a se encantar pela sétima arte devido às idas regulares aos estabelecimentos. Ele é João Batista de Brito, que hoje é um respeitado crítico cinematográfico.Eram três os cinemas do bairro: Jaguaribe, na esquina entre as avenidas Aderbal Piragibe e Capitão José Pessoa; o São José, na avenida Floriano Peixoto, organizado pelo Círculo Operário; e o Cine Santo Antônio, localizado onde hoje fica a Casa da Cidadania, ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. "Eles formavam um triâgulo ao redor da casa onde eu morava e fizeram parte de muitas memórias da minha  infância e adolescência", conta o crítico.Naquela época, a cidade possuía cerca de 120 mil habitantes e boa parte dos bairros que conhecemos hoje em dia ou não existiam ou eram pouco habitados, o que gerava um deslocamento até Jaguaribe. "A cidade se resumia a Torre, Centro, Jaguaribe, Roger e Cruz das Armas. A praia era deserta e possuía poucas casas, ainda de taipa. Jaguaribe ter três cinemas e uma vida cultural e social agitada era um atrativo para os jovens da época na cidade", completa João Batista de Brito.Mirabeau lembra que o bairro tinha uma característica que o diferenciava de outras localidades. "As pessoas que moravam por lá eram filhos ou eles mesmos funcionários públicos, uma quebra na hegemonia aristocrática que a elite da cidade conservava, morando principalmente no Centro", completa.Meu Jaguaribe se revela uma boa oportunidade para que os próprios moradores do bairro possam conhecer um pouco da história do local onde vivem e também compartilhá-las.

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