quarta, 21 de agosto de 2019
Cinema
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Dia do Cinema Brasileiro é lembrado com produções nacionais

André Luiz Maia / 19 de junho de 2019
Foto: Divulgação
O Dia do Cinema Brasileiro, comemorado nesta quarta-feira (18), é uma boa oportunidade para fazer uma reflexão sobre nossa produção audiovisual. O cinema nacional vive uma espécie de dilema. Ao mesmo tempo em que a qualidade de suas produções são reconhecidas internacionalmente, ele está em situação muito problemática no quesito política pública, com a Petrobras, principal patrocinadora do cinema nacional nos últimos anos, paralisando seus incentivos a filmes e festivais.

Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, conquistou o prêmio do júri do Festival de Cannes. Também lá, A Vida Secreta de Eurídice Gusmão levou o prêmio da mostra Um Certo Olhar. O filme cearense Pacarrete, com três atrizes paraibanas, foi selecionado para concorrer ao maior prêmio de cinema da Ásia. Respiros diante da turbulência.

Por muito tempo, o cinema brasileiro era tido como um mercado com produções até originais, mas com excelência técnica comprometida. “Isso caiu por terra. Por décadas, falava-se da má captação de áudio do cinema nacional, da qualidade da imagem. Hoje em dia, ter um bom equipamento é bem mais caro, de fato, mas boa parte das reclamações se davam por conta da má qualidade das salas de exibição no país, algo que também mudou”, pontua o cineasta Marcus Vilar, que este ano deve lançar seu documentário sobre Jackson do Pandeiro, mais um dos vários longas-metragens paraibanos lançados desde 2016 com o apoio do edital Walfredo Rodriguez, da Funjope, braço cultural da Prefeitura de João Pessoa.

Paulo Roberto é cineasta, diretor de curtas como Malha e Stanley, além de ser Gerente da Divisão de Audiovisual da Funjope. Na sua opinião, o cinema nacional avançou especialmente pelas políticas públicas implantadas na última década. “A pulverização das políticas de fomento às produções por todo o país fez com que o que temos de mais valioso no nosso país viesse à tela, que é a diversidade cultural, seja étnica, geográfica, social. O que ocorre agora é um projeto de retrocesso”, alerta.

Há um consenso em relação a isso, compartilhado por todos os entrevistados desta reportagem. “Há uma tentativa de criminalização da arte e do pensamento crítico, já que o cinema brasileiro, em especial, sempre foi crítico ao establishment, seja à esquerda ou à direita. Tentar cerceá-lo é típico de regimes autoritários”, pontua o também cineasta Bertrand Lira. Diante desse cenário, o diretor André Morais, de Rebento, não sabe pontuar uma solução, mas possivelmente um caminho. “A gente precisa continuar trabalhando essa tempestade, mostrando nossa potencialidade”, completa.

Tentando enxergar o copo pelo lado “meio cheio”, dá para ver uma pluralidade de produções e o crescimento do mercado audiovisual como um todo. “Hoje o setor do audiovisual é responsável por 2% do PIB. Essa é uma conversa que todo mundo entende, que é apartidária. Todo mundo quer que o Brasil dê certo, que a economia funcione”", ressalta Paulo Roberto.

Por isso mesmo, Bertrand Lira acredita que a solução passe pela movimentação de diversas frentes. “Há uma demanda cada vez maior por produção audiovisual, seja para o cinema, seja para as TVs abertas e pagas, seja para o streaming. Apesar do baque, acredito que o cinema sobrevive”, opina.

É importante lembrar do papel de outros agentes dentro da cadeia produtiva do audiovisual. “O cinema brasileiro sempre teve o potencial de mostrar, através de suas narrativas, nossos problemas, nossas belezas e refletir sobre o Brasil enquanto sociedade. Justamente quando estávamos conseguindo nos profissionalizar, vemos uma tentativa de desmonte. É um momento em que a gente respira fundo ao comemorar a data, com algum pesar, por estarmos vivendo um momento como este, mas também é tempo de refletir sobre o papel do cinema nacional”, reflete a produtora Mariah Benaglia.

Vem por aí



Turma da Mônica — Laços (27/6)

Bacurau (29/8)

Eduardo e Mônica (19/9)

Hebe, a Estrela do Brasil (26/9)

A Vida Invisível de

Eurídice Gusmão

(novembro)

 

 

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