domingo, 16 de maio de 2021

Cinema
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Curtas-metragens de Jorge Furtado no Tintin Cineclube

André Luiz Maia / 19 de outubro de 2016
Foto: Fabio Rebelo/DIVULGAÇÃO
O nome de Jorge Furtado não é desconhecido do grande público. É dele alguns filmes como Saneamento Básico - O Filme, O Homem que Copiava e Meu Tio Matou um Cara, além do roteiro de seriados como Mister Brau e a direção de especiais como Doce de Mãe. Atualmente no ar com a minissérie Nada Será como Antes, que revela os primórdios da televisão no Brasil, o cineasta gaúcho é homenageado hoje com uma mostra no Tintin Cineclube.

Jorge foi um dos fundadores da Casa de Cinema de Porto Alegre, com uma filmografia extensa, sempre transitando no limite entre ficção e documentário. Uma das características de algumas de suas produções é sua colagem de cenas e picotes na edição, tornando sua narrativa intrigante.

No entanto, o foco não é sua produção de longas ou para TV, mas sim seus curtas-metragens, alguns de grande repercussão.

Um bom exemplo disso é Ilha das Flores (1989). Se você cresceu entre os anos 1990 e 2000, provavelmente assistiu ao curta nas salas de aula, já que é um dos preferidos dos professores de história para ilustrar a mecânica da sociedade de consumo, desde um tomate plantado, vendido e consumido até o destino final, um lixão, que dá nome ao filme.

O filme foi um dos que se beneficiaram com a Lei do Curta, uma lei federal criada na década de 1970 que instituia a exibição de curtas-metragens brasileiros em sessões de cinema com filmes estrangeiros. A obra está em 13º na lista dos 100 melhores filmes brasileiros da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Sua narrativa em hiperlink foi depois vista até em produções como O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001).

Já O Sanduíche (2000) é um jogo narrativo que propõe ao espectador imergir em narrativas inseridas em outras narrativas, quase como uma boneca russa.

Filmado parte em estúdio e parte ao ar livre, o curta ilustra a característica experimental que boa parte dos filmes do diretor tem à máxima potência: a confusão proposital entre ficção e realidade e como as duas instâncias se misturam.

A proposta do Tintin Cineclube é oferecer uma mostra do trabalho de um dos mais importantes cineastas brasileiros, que trouxe contribuições importantes para o fazer cinematográfico do país.

Tintin Cineclube

Hoje, às 19h30.

Cine Banguê (Espaço Cultural, R. Abdias Gomes de Almeida, 800, Tambauzinho, João Pessoa).

Entrada franca

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