sábado, 06 de março de 2021

Cinema
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‘Como Nossos Pais’, filme de Laís Bodanzky, estreia nesta quinta em JP

André Luiz Maia / 31 de agosto de 2017
Foto: Priscila Prade/ Divulgação
Ser uma boa mãe, uma boa esposa, dar conta da vida profissional e do relacionamento amoroso. O ideal de mulher do século XXI nas sociedades ocidentais gira basicamente em torno dessa equação. Mas para a cineasta Laís Bodanzky, isso é uma farsa. Questionando os papéis masculinos e femininos na sociedade de maneira sutil, a cineasta cria Como Nossos Pais. O grande vencedor do Festival de Cinema de Gramado deste ano estreia nos cinemas de João Pessoa nesta quinta-feira (31).

Maria Ribeiro é Rosa, a protagonista da trama que passa a questionar aspectos de sua própria vida ao descobrir que a pessoa que a criou durante toda a sua vida não era seu pai biológico. Não é exatamente uma situação incomum, mas o que a revolta é a casualidade quase displicente da notícia dada por sua sua mãe, Clarice (Clarisse Abujamra), após um almoço em família. Isso tudo funciona como um gatilho para que ela questione a fragilidade de todas as suas relações.

Ela tem duas filhas pequenas, Nara e Juliana, com Dado (Paulo Vilhena), um ativista que luta por mais direitos para as populações indígenas da Amazônia. Apesar da visão progressista para o lado de fora da casa, da porta para dentro tudo parece continuar "como nossos pais", já que a responsabilidade de cuidar das crianças fica inteiramente nas mãos de Rosa. Como se não bastasse, ela ainda precisa dar conta das finanças da casa sozinha, deixando de lado a carreira de dramaturga para escrever catálogos de empresas.

A centralidade temática do filme reside nesse anacronismo, entre o quanto as mulheres avançaram na ocupação de espaços na sociedade e o acúmulo de tarefas reservadas a elas. Não há compartilhamento de funções, mas apenas o acréscimo, preservando, com raras exceções, os pactos sociais previamente estabelecidos.

O filme tem sido bem recebido lá fora nos festivais em que é exibido e talvez o segredo disso seja a visão da diretora, que também assina o roteiro ao lado de Luiz Bolognesi. Laís Bodanzky tem como característica o olhar perspicaz de tratar de temas universais sob o ponto de vista de uma classe média que, sim, tem seus privilégios, mas que não deixa de lidar com questões delicadas e temas espinhosos. Bons exemplos disso são algumas de suas obras anteriores, como Bicho de Sete Cabeças (2001) e As Melhores Coisa da Vida (2010).

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