sexta, 26 de fevereiro de 2021

Cinema
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Clássico de Michelangelo Antonioni estreia no Cine Banguê, em JP

Jornal Correio da Paraíba / 04 de junho de 2017
Foto: Rafael Passos
O italiano Michelangelo Antonioni é conhecido como ‘o cineasta da incomunicabilidade’. Seus filmes são algumas vezes enigmáticos, como ‘A Aventura’ (1960) e este ‘Blow Up – Depois Daquele Beijo’ (1966), que volta às telas pessoenses a partir deste domingo (4), no Cine Banguê.

Premiado como melhor filme no Festival de Cannes em 1967, foi o primeiro filme de Antonioni em inglês. Na trama-base, um fotógrafo (David Hemmings) registra um casal num parque em Londres. A mulher (Vanessa Redgrave) o vê e vai até seu ateliê exigir os negativos. O fotógrafo a enrola, mas, quando faz as ampliações, percebe que pode ter registrado sem querer um assassinato.

Mas Antonioni não segue pelo caminho do mistério direto. Seu filme é mais lembrado pelo registro do clima da ‘Swinging London’ dos anos 1960 (com direito a uma performance dos Yardbirds) e por duas cenas particularmente famosas: o jogo de tênis sem bola e, no começo, a sessão de fotos de grande voltagem erótica entre Hemmings e a modelo alemã Veruschka von Lehndorff.

Blow Up também contribuiu para enterrar de vez o já caduco Código de Produção  de Hollywood. A MGM burlou o código para lançar o filme sem cortes, mantendo nudez frontal e cenas de sexo. O sucesso de crítica e bilheteria mudou o sistema de classificação dos filmes nos EUA.

Filme é baseado em Cortázar

Blow Up tem roteiro de Antonioni e Tonino Guerra, com diálogos em inglês do dramaturgo Edward Bond, inspirado pelo conto ‘Las babas del diablo’, do argentino Julio Cortázar (que faz uma ponta no filme). A trilha é do pianista Herbie Hancock, um grande nome do jazz.

A influência de Blow Up aparece em outros filmes, como ‘A Conversação’ (1974), de Francis Ford Coppola, e, mais diretamente, ‘Um Tiro na Noite’ (1981), de Brian De Palma. Neste, John Travolta é um operador de som que, registrando ruídos pela cidade, grava um assassinato. A cena com Veruschka foi alvo de paródias no primeiro e segundo ‘Austin Powers’ (1997/ 1999), que satiriza exatamente a ‘Swinging London’.

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