segunda, 10 de maio de 2021

Cinema
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Cinema da cidade de Remígio será homenageado em São Paulo

André Luiz Maia / 06 de setembro de 2018
Foto: Divulgação
Primeiro com o VHS e depois com o DVD, o surgimento do home vídeo foi uma das razões para que houvesse um declínio do público presente nos cinemas. Entre as décadas de 1980 e o início dos anos 2000, presenciamos o sepultamento de praticamente todos os cinemas de rua na Paraíba e a ascensão dos multiplexes em shopping centers.

Mas um voltou das cinzas e resiste: o Cine RT, em Remígio. Atualmente é o único cinema de rua na Paraíba (todas as demais salas em funcionamento estão em shoppings). Por isso, seu proprietário, Regilson Cavalcante, será homenageado pela Expocine, um dos maiores encontros da cadeia de exibidores da América do Sul, que será realizada em outubro, em São Paulo.

Antigamente, Remígio tinha o Cine São José, um dos vários cinemas do interior que fecharam suas portas nos anos 1980 e 1990. Mas, mesmo com pirataria e sistemas de streaming, estamos vendo nos últimos anos um reencontro do público com os cinemas, com bilheterias bilionárias a reboque das superproduções. A digitalização reforçou este fenômeno curioso: o surgimento e fortalecimento de salas de exibição em cidades fora dos grandes centros urbanos. O Cine Guedes, em Patos, vai ganhar uma terceira sala.

Na Paraíba, João Pessoa, Campina Grande, Patos, Guarabira e Remígio têm seus cinemas. Remígio, no Brejo, é a menor destas cidades, com menos de 20 mil habitantes. Regilson Cavalcante é um mecânico cujo sonho de infância era ter um cinema.

“Eu ia quando criança para o Cine São José. Logo de cara eu fiquei muito curioso com a máquina de projeção de filmes e como funcionava aquilo tudo”, explica o exibidor.

No melhor estilo Cinema Paradiso, sua paixão pela sétima arte foi apenas aumentando. Uma de suas diversões era levar partes das películas dos filmes que eram cortadas para montar seu próprio filme em casa, projetado com a ajuda de velas e candeeiros.

Em 2012, veio a oportunidade de reabrir o cinema abandonado. “No início, a gente usava o projetor antigo, que conseguimos reaver e cadeiras de plástico. Foi um longo caminho para chegarmos até o ponto em que estamos hoje”, confessa Regilson. O projetor 35mm deu lugar a um projetor digital e as cadeiras de plástico a poltronas.

O primeiro filme exibido no Cine RT foi A Saga Crepúsculo – Amanhecer: Parte 1 (2011). Na época, a média era de 10 espectadores por sessão. Mas os resultados viriam com o tempo.

O projetor digital veio por meio de um programa da Agência Nacional de Cinema (Ancine). Isso agilizou as estreias dos grandes filmes que passaram a entrar em cartaz em Remígio quase sempre ao mesmo tempo que nas demais praças. Recentemente, em parceria com uma empresa de São Paulo, foram instaladas as 100 poltronas, adequadas para um cinema. Hoje, o Cine RT recebe até 600 pessoas por semana no período dos lançamentos e entre 170 e 200 nas semanas convencionais.

Regilson continua trabalhando como mecânico, sua principal fonte de renda, mas afirma que, agora, a situação está bem tranquila. “Hoje, posso dizer que o cinema se sustenta com sua própria bilheteria, que serve para a manutenção e a compra dos direitos de exibição de novos filmes”, completa o exibidor.

Para coroar este momento de estabilização do projeto, ele recebe a homenagem da Expocine, por ser um exemplo de resistência. “A história do Regilson e do seu cinema Cine RT não é apenas comovente, mas é também uma lembrança do porquê trabalhamos nesta indústria e acreditamos no cinema como uma das melhores formas de entretenimento”, comenta Marcelo Lima, CEO da Expocine, em material de divulgação da convenção.

Consolidados

O Cine Guedes já existe há 15 anos em Patos, sempre com duas salas. Mas em novembro, a empresa deve inaugurar a reforma do complexo, que trará a terceira sala, e ampliando para duas as que possuirão tecnologia 3D e áudio Dolby Digital.

“Nós percebemos que o público está cada vez mais interessado em ir ao cinema. É uma alternativa de entretenimento muito procurada porque, por mais que seja fácil hoje em dia assistir a um filme no conforto da sua casa, a experiência de assistir a uma projeção ainda é única”, pontua Cislan Wellington, gerente do Cine Guedes.

Além da requalificação das salas de exibição, o shopping oferecerá uma hamburgueria e uma pizzaria no anexo.

Guarabira teve seu primeiro cinema contemporâneo inaugurado em 2016, no Shopping Cidade Luz, com duas salas. Já no ano seguinte, veio a ampliação, inaugurando uma terceira sala, com produções estreando em pé de igualdade com João Pessoa e Campina Grande.

Os paraibanos que moram no interior já têm como realidade uma série de opções para curtir a sétima arte longe dos grandes centros. Fica a expectativa para que mais iniciativas como estas se multipliquem.

 

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