sábado, 20 de outubro de 2018
Cinema
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Cinco clássicos são lançados em edições restauradas em coleção

Renato Félix / 23 de fevereiro de 2018
Foto: DIVULGAÇÃO
A palavra "ícone" cai muito bem em Louise Brooks. A atriz americana foi a Berlim para, através de alguns filmes, eternizar seu visual de cabelos lisos e curtos, de franja, que levava por baixo personagens que desafiavam convenções e eram sexualmente marcantes. O mais conhecido é a Lulu, de A Caixa de Pandora (1928), que ganhou uma edição digna em DVD a bordo da coleção Expressiionismo Alemão, da Obras-Primas do Cinema. Recentemente a distribuidora lançou o segundo volume desta coleção, com mais cinco filmes, entre eles mais um da parceria de Brooks com o cineasta G.W. Pabst: Diário de uma Garota Perdida (1929).

É, por comparação, o mais recente dos filmes do digipack, que, como o anterior, reúne os cinco filmes em três DVDs. Além de Diário de uma Garota Perdida, estão aí cópias também restauradas de O Golem (1920), de Carl Boese e Paul Wegener, Os Nibelungos – A Morte de Siegfried (1924) e Os Nibelungos – A Vingança de Kriemhild (1924), ambos de Fritz Lang, e A Última Gargalhada (1924), de F.W. Murnau.

Louise é uma garota que engravida do amante, mas se recusa a casar com ele. Por isso, é expulsa de casa e vai parar num reformatório. O filme causou escândalo na Alemanha, na época, e acabnou sendo cortado, com muito do erotismo passando a ser mais sugerido.

Entre os outros filmes da coleção, o grande destaque é A Última Gargalhada, Trata-se de um dos principais trabalhos de um dos principais cineastas do movimento. Murnau conta a história de um orgulhoso porteiro de hotel que vê sua vida ruir depois que é demitido.

O filme é um prodígio da linguagem do cinema mudo: não usa uma cartela sequer para diálogos, contando praticamente toda a trama com suas imagens (apenas duas são usadas para explicar uma mudança de emprego e para o epílogo).

A Última Gargalhada mostra um dos primeiros travellings do cinema, feito com a câmera em um carrinho de bebê. E possui um epílogo imposto pelos produtores, que Murnau e o roteirista Carl Mayer criaram de maneira propositalmente exagerada.

Tão grande quanto Murnau é Fritz Langm, que comparece com as dias partes de Os Nibelungos, lançadas no mesmo ano. Um épico medieval baseado em uma história do século XII, que também já havia gerado O Anel dos Nibelungos, série de óperas de Richard Wagner.

E ainda há O Golem, crionologicamente o primeiro dos filmes. É outras história medieval, esta sobre uma criatura gerada através do sobrenatural e que foge do controle de seu criador. Há ecos aí de Frankenstein e outros filmes de monstros humanos.

Um dos diretores, Paul Wegener interpreta o golem, em um filme do mesmo ano de outro inaugural do movimento, O Gabinete do Dr. Caligari.

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