quarta, 23 de setembro de 2020

Cinema
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‘BR 716’ é a volta de Domingos Oliveira aos cinemas pessoenses

André Luiz Maia / 14 de janeiro de 2017
Foto: Divulgação
A estreia no Cine Banguê, de BR 716, novo filme de Domingos Oliveira, quebra um jejum de 16 anos das obras do diretor carioca no circuito comercial paraibano. A última produção a entrar em cartaz por aqui foi Amores (2001), também no Cine Banguê. Na nova obra, Domingos permanece trazendo uma narrativa íntima.

Esse novo filme, vencedor do último Festival de Gramado, é ambientado na década de 1960, centrado na figura do engenheiro e aspirante a escritor Felipe (Caio Blat). Em pleno epicentro da boemia carioca, ele vive as noites e os dias em meio à bebedeira e festas movimentadas em seu apartamento, um presente de seu pai (Daniel Dantas), na famosa rua Barata Ribeiro, em Copacabana (o título do filme é uma referência ao endereço do prédio).

Em certo momento, o filme passa a se tornar preto e branco, acompanhando o fluxo de pensamento do personagem, um alter-ego do próprio Domingos. Outros nomes que aparecem ao longo da produção são Sophie Charlotte, Sérgio Guizé, Álamo Facó, Lívia de Bueno e Matheus Souza, todos nos papéis de amigos e amores que circundam a rotina de Felipe/Domingos.

Da mesma forma em que os diretores de cinema daquela época elencavam mulheres como musas de suas produções, Domingos faz essa metalinguagem ao entregar a Sophie Charlotte o papel de Gilda, uma mulher curvilínea, provocativa, capaz de despertas os desejos sexuais e afetivos de todos aos seu redor.

Apesar do clima de festa e extravagância, o contexto é soturno: na iminência do golpe militar de 1964, os sonhos, a esperança e as utopias são postos em cheque e isso é evidenciado pela melancolia dos personagens, especialmente Felipe, que poderia seguir sua carreira de engenheiro, mas decide se entregar ao desejo de investir em um roteiro de cinema, mesmo contrariando as vontades de seu pai.

Ao resgatar sua própria história, o público tem a oportunidade de entender as razões que levaram o diretor à carreira artística. Em 60 anos de carreira, Domingos Oliveira esteve, além do cinema, no teatro e na televisão, atuando como escritor e roteirista. Já escreveu 26 peças e dirigiu 57, publicou cinco livros e participou de 50 telefilmes. BR 716 é o 18º longa-metragem na carreira do diretor, que ficou conhecido por obras como Separações (2002) e Todas as Mulheres do Mundo (1966).

Durante 20 anos, deixou o cinema para se dedicar à televisão e ao teatro, mas desde que voltou, no final da década de 1990, não parou mais. Nos últimos anos, resolveu olhar para a própria história, como em Infância, de 2014, sobre um menino criado pelos pais e os avós num bucólico Rio de Janeiro da década de 1950.

“BR 716”

Brasil, 2016

Direção: Domingos Oliveira. Elenco: Caio Blat, Sophie Charlotte, Pedro Cardoso, Maria Ribeiro, Sergio Guizé, Daniel Dantas

Em cartaz em JP. Próximas sessões: hoje: 18h; ter.: 18h30

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