segunda, 19 de agosto de 2019
Cinema
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Baseada em HQ, ‘Mulheres alteradas’ ganha versão brasileira no cinema

André Luiz Maia / 05 de julho de 2018
Foto: Divulgação
O gênero da comédia é algo saturado no Brasil. Ano após ano, produções que se ancoram no riso fácil e com nível de produção baixo para as telonas ficam entre os mais vistos dos cinemas. No entanto, existem iniciativas que tentam encontrar um equilíbrio entre qualidade de produção e entretenimento para grandes públicos. Uma dessas tentativas é Mulheres Alteradas, que estreia hoje nos cinemas pessoenses.

O filme é uma adaptação do quadrinho homônimo da escritora e ilustradora argentina Maitena (leia quadro nesta página), com as devidas alterações para encaixar a história em um contexto brasileiro. As histórias se centram em algo muito debatido em filmes, séries e livros: a crise dos trinta anos e seus paradigmas. A diferença é o tom, já que Maitena é assumidamente feminista e busca apresentar o ponto de vista dos dramas femininos fugindo dos clichês do gênero.

O elenco que compõe esse time de mulheres é de peso. Keka é vivida por Deborah Secco, em uma personagem que está insatisfeita com o casamento com Dudu (Sérgio Guizé) e com a própria vida, pois sente que não está aproveitando como deveria.

Em seu extremo oposto está Marinati (Alessandra Negrini). Ela é a colega de trabalho descolada, dedicada inteiramente à profissão, sem nenhuma preocupação com casamentos. No entanto, tudo muda quando ela se apaixona perdidamente pelo galã Christian (Daniel Boaventura).

Completam este elenco Maria Casadevall e Mônica Iozzi. Sônia (Iozzi) é a mãe solteira que, depois de tantos anos de vida de dona-de-casa, quer extravasar. Para isso, conta com a ajuda de Leandra (Casadevall), a irmã caçula baladeira, com a vida regada a noitadas e fortes ressacas no dia seguinte.

O principal destaque do filme é a química do quarteto, que funciona com naturalidade, de acordo com a crítica. “A química do elenco se mostra tão harmoniosa e honesta ao ponto de deixar interações hollywoodianas femininas recentes no chinelo”, afirma Pablo Bazarello, do portal CinePop, em uma alfinetada a Oito Mulheres e um Segredo, estrelado por Sandra Bullock, Cate Blanchett, Rihanna e outras.

Outras observações feitas em relação ao elenco são feitas por Francisco Carbone, do Cineplayers. “O grande momento é mesmo de Alessandra Negrini, uma atriz que se arrisca muito sempre, na beira do precipício por natureza, e que aqui casa com perfeição um histrionismo natural com a proposta procurada pelo projeto. As outras três vez por outra sofrem com essa falta de sincronia natural do projeto, que tenta ser cartoon e real, as vezes ao mesmo tempo”, pontua.

Em sua crítica, ele pontua uma má resolução por parte de Caco Galhardo (roteirista, e também quadrinista, autor da tira Os Pescoçudos) e Luis Pinheiro (diretor) em acertar o tom da história. Os dois já haviam trabalhado em outro projeto, o seriado Lili, a Ex, do canal GNT, estrelado por Maria Casadevall, baseado em tiras de Galhardo. Em alguns momentos, as situações parecem caricatas, enquanto em outros, a história envereda por um caminho mais realístico. Os aspectos técnicos, no entanto, receberam elogios, a exemplo da montagem e da direção de arte com cores exuberantes.

As HQs

Sucesso em 15 países, os quadrinhos da argentina Maitena cativaram o público feminino também brasileiro por tratar situações do cotidiano delas de maneira sincera. A obra é publicada no Brasil pela editora Rocco, que já apresentou cinco volumes. A autora, no entanto, gosta de dizer que é uma obra recomendada “para meninos e para meninas”, já que trabalha com questões universais.

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