sexta, 22 de janeiro de 2021

Cinema
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“Aquarius” é indicado para concorrer à Palma de Ouro

André Luiz Maia / 15 de abril de 2016
Foto: Divulgação
Oito anos separam as indicações de Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas, e Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, à Palma de Ouro, a premiação mais importante do Festival de Cannes. O filme do pernambucano integra a lista das 20 produções que disputam o título em 2016. É seu primeiro longa após o bem-sucedido O Som ao Redor, que também usa Recife como locação.

Além de Aquarius, o Brasil disputa este ano outra Palma de Ouro, a de melhor curta-metragem, com A Moça que Dançou com o Diabo, do paulista João Paulo Miranda Maria. Vale lembrar que o Brasil levou o prêmio apenas uma vez na história, em 1962, com O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte.

A respeito de Aquarius, pouco se sabe sobre o enredo, já que pouquíssimas pessoas o viram, e Kleber optou por não revelar muito mais que o essencial. A produção, que conta com nomes como Irandhir Santos e Humberto Carrão, traz Sônia Braga na pele de Clara, uma viúva que mora no Aquarius, último prédio antigo na orla da praia de Boa Viagem, no Recife.

Jornalista aposentada e escritora, ela resiste às investidas de uma construtora que quer demolir o prédio e construir seu novo empreendimento no lugar. “Clara é essa coisa que está atrapalhando essa construção (risos). Ela entra em uma guerra ao bater de frente com essa empresa”, comenta o diretor, em entrevista ao CORREIO.

A temática dos espaços urbanos já apareceu em obras anteriores do diretor, como no próprio O Som ao Redor e em Recife Frio – um falso documentário que traz como premissa a súbita mudança climática da capital pernambucana –, mas aqui ela ganha contornos mais explícitos e dialoga com discussões levantadas por movimentos como o #OcupeEstelita, que questionam os modelos de investimento imobiliário e vivência urbana. “O Brasil está em um momento muito difícil, politicamente, muito dividido, e, embora eu tenha começado a fazer esse filme há três, quatro anos atrás, ele acaba dialogando com essas questões. Que ele sirva para começar alguma reflexão”, pontua.

Embora tenha os pés fincados em questões reais, o filme também abre uma janela para a subjetividade. Cercada de discos e livros, Clara tem a capacidade de viajar pelo tempo. “Na verdade, é difícil falar sobre Aquarius neste momento. Eu prefiro deixar o público assisti-lo e esperar que ele tenha suas conclusões”, comenta Kleber.

A seleção para Cannes é, inegavelmente, uma janela de visibilidade bastante generosa para Aquarius, o que permitirá, mesmo que não conquiste o prêmio, uma trajetória já garantida em festivais nacionais e internacionais.

Concorrência. Além de Aquarius, concorrem à Palma de Ouro os filmes American Honey, de Andrea Arnold, Bacalaureat, de Cristian Mungiu, Elle, de Paul Verhoeven, From the Land of the Moon, de Nicole Garcia, The Handmaiden, de Park Chan-wook, I, Daniel Blake, de Ken Loach, It’s Only the End of the World, de Xavier Dolan, Julieta, de Pedro Almodovar, The Last Face, de Sean Penn, Loving, de Jeff Nichols, Ma’ Rosa, de Brillante Mendoza, The Neon Demon, de Nicolas Winding Refn, Paterson, de Jim Jarmusch, Personal Shopper, de Olivier Assayas, Slack Bay, de Bruno Dumont, Staying Vertical, de Alain Guiraudie, Toni Erdmann, de Maren Ade, e The Unknown Girl, de Jean-Pierre e Luc Dardenne.

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