quinta, 19 de outubro de 2017
Cinema
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90 anos de Jerry Lewis; reveja cenas clássicas

Renato Félix / 16 de março de 2016
Foto: Divulgação
É uma piada recorrente entre os cinéfilos o fato de que os franceses adoram Jerry Lewis e os americanos não entenderem o motivo. Dono de um humor muito direto, careteiro e pastelão, levou tempo para que se reconhecesse seus talentos não só como humorista, mas também como cineasta. Completando 90 anos hoje, Jerry Lewis é um reconhecido mestre da comédia. Ou rei, como no título do filme que fez com o prestigiado Martin Scorsese em 1983.

Além de ator e diretor, Lewis é dançarino, cantor, produtor e roteirista. Mesmo que a crítica tenha demorado a perceber (ou admitir), ele evoluiu na carreira e assumiu vários riscos (e se deu mal algumas vezes). Soube explorar seu talento em sequências particulares que se tornaram pequenas obras-primas dentro de filmes (ótimos ou mesmo não muito bons).

O início do sucesso veio com a dupla que formou com o cantor Dean Martin em 1946. Nos shows em Las Vegas, eles formaram uma dinâmica em que Martin era o cantor simpático e malandro e Lewis era o amigo empolgado e inocente que atrapalhava o número.

Eles mantiveram a dinâmica no cinema, a partir de A Amiga da Onça (1949), ainda como coadjuvantes. Viraram rápido os protagonistas de uma bem-sucedida série de filmes de qualidade oscilante, cujo melhor exemplar é Artistas e Modelos (1955).

A parceria terminou em 1956. E Lewis se tornou o diretor de seus filmes a partir de 1960, já com uma pérola: O Mensageiro Trapalhão, em que passa o filme todo quase sem dizer uma palavra. Vieram outros clássicos como O Terror das Mulheres (1961) e O Professor Aloprado (1963). Lewis é considerado o diretor do video-assist, equipamento em que o diretor já pode ver como fica na tela a cena que a câmera está captando.

Lewis teve um sério revés em 1972, ao produzir, dirigir e estrelar o drama The Day the Clown Cried, como um palhaço que levava crianças judias para a morte em um campo nazista. O resultado desagradou tanto o cineasta que o fime nunca foi lançado e a única cópia existente é guardada por ele em um cofre.

Lewis só voltou aos cinemas nos anos 1980, sem tanto sucesso. Seu maior trabalho era como produtor e apresentador do Teleton americano, criado por ele quando um filho seu teve distrofia muscular.

O distanciamento acabou fazendo sua obra no cinema ser reavaliada. Mas seu temperamento difícil também é marcante e as polêmicas de vez em quando aparecem: como quando, em Cannes, Lewis disse não achar graça em comediantes mulheres. Elas também não acharam a declaração nada engraçada.


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