terça, 11 de dezembro de 2018
Cultura
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Cátia de França é atração no Festival Aiê

André Luiz Maia / 30 de setembro de 2018
Foto: Mariana Kreischer
A voz de Cátia de França se enche de alegria ao falar sobre a Paraíba. Quase dá para ouvir o barulho insistente dos ponteiros do relógio da mente da cantora e compositora, contando cada minuto para chegar aqui. Nos próximos sete dias, o público paraibano terá a oportunidade de vê-la bem de perto em três oportunidades.

O Festival Aiê se encerra com sua participação, um show mais intimista, em que ela conta com seu violonista de confiança, Cristiano Oliveira, que a acompanha há anos. “Trazer a banda inteira para cá tornaria minha vinda inviável, então tive que adaptar”, comenta a artista de 71 anos. Não se engane com a idade, as coisas parecem só estar começando para ela, detentora de um espírito jovial.

O repertório dessa apresentação acústica faz um passeio por diversas fases da carreira da cantora, mas se atém especialmente ao seu trabalho mais recente, Hóspede da Natureza, lançado em 2016 através de uma parceria com a Natura Musical. O disco foi seu primeiro lançamento utilizando estratégias de divulgação digital, o que abriu novos horizontes para Cátia.

“Com a internet, as pessoas passaram a me redescobrir, ou me descobrir mesmo. A mídia me virou as costas, mas através das redes eu pude alcançar públicos mais jovens. Tem gente de toda idade nos meus shows e eu fico extremamente feliz ao constatar isso”, salienta. Canções como “Minha vida é uma rede” e a faixa-título estão garantidas nesta primeira performance.

O Festival Aiê evidencia a cultura local produzida ou inspirada pela cultura afro. Neste aspecto, um dos expoentes é Elioenai Gomes, ou simplesmente Nai, dono do ateliê cultural que integra a rede do festival. O convite para que Cátia se apresentasse no evento veio dele e ela aproveita o espaço para agradecer e ressaltar sua importância.

“Nai é meu amigo há muito tempo, compartilhamos dos mesmos caminhos religiosos. Sempre foi um cara que apoiou as iniciativas culturais, que pegou um espaço abandonado como aquele em que hoje temos o ateliê, dignificando-o. A resistência dele no Centro Histórico é um dos exemplos que quebram aquela lógica de que João Pessoa só pode dar certo se você estiver voltado para a orla, a praia”, salienta Cátia de França.

Prima e Santa Roza

Sua estadia pela Paraíba também renderá frutos para os apreciadores de sua obra. Antes, ela será a convidada principal do VII Recital Didático do Programa de Inclusão Através da Música e das Artes, o Prima.

O show voltado para a rede estudantil acontece às 15h da próxima terça-feira, no Teatro Santa Roza, reunindo estudantes de música do projeto desenvolvido pelo Governo da Paraíba dos polos do Bairro dos Novais e da Penha, em João Pessoa. Cátia deve apresentar canções como “Kukukaya” e “Ponta do Seixas". Além dela, estão previstas as participações da Camerata Feminina do Prima e da Tanto Canto Coletiva Artística.

“Fiquei muito honrada em ser convidada para participar deste projeto. O convite veio por meio de Milton Dornellas”, explica Cátia, se referindo ao cantor e compositor, que atualmente é diretor executivo do projeto. Para a artista, iniciativas como o Prima precisam ser preservadas, independente de gestões políticas. “Não podemos deixar que esse tipo de projeto seja levado ao sabor das ondas políticas. Usar a música como ferramenta de educação é transformador. Música para mim é isso, é didático e espiritual também. Quando você coloca um instrumento musical na mão de uma criança, aquilo é capaz de modificar sua realidade”, completa a cantora.

Mesmo ressaltando os aspectos de prazer relacionados à música, ela também justifica seu endosso ao projeto por questões pragmáticas e econômicas. “Uma criança e adolescente que aprende a ler uma partitura, a tirar um som, pode levar essa habilidade para a vida inteira, fazendo gravações ou participando de shows musicais. É uma ótima iniciativa, em todos os aspectos”, arremata Cátia de França.

Passado este momento, ela se reúne no sábado, véspera das eleições, com Nathalia Bellar e Titá Moura no espetáculo Menina Passarinho, também realizado no Santa Roza. A ideia é celebrar os 40 anos do álbum 20 Palavras ao Redor do Sol, marco na carreira da compositora, editado em 1979.

A novidade aqui é que as músicas de Cátia serão apresentadas com arranjos completamente novos, pensados por Uaná Barreto, em diálogo com Cristiano Oliveira. “Eu fiquei sem reação quando ouvi pela primeira vez os novos arranjos. Uma coisa muito, muito bonita”, relata. Dentre as canções revisitadas, estão “Trator”, do Hóspede da Natureza, e canções mais antigas como “Não marca as horas” e “Sustenta a pisada”.

Cátia já tem planos para 2019. Ela adiantou para o CORREIO um novo projeto, uma circulação de shows ao lado das cantoras Ceumar e Déa Trancoso, dentro do projeto Sonora Brasil, promovido pelo Sesc, circulando por 45 cidades.

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