domingo, 15 de julho de 2018
Cultura
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Banda-fôrra lança disco e grava DVD ao vivo neste domingo

André Luiz Maia / 28 de janeiro de 2018
Foto: Dani L / Divulgação
Quase três anos separam o primeiro EP lançado por Banda-fôrra e o primeiro álbum da banda paraibana, Trilha. A maturidade sonora e de repertório é possível de ser notada nas oito faixas do registro, que está disponível online. Hoje, o grupo se apresenta na Casa da Pólvora, dentro do projeto Pólvora Cultural, na primeira apresentação oficial do novo repertório.

A tarde também renderá a gravação do primeiro DVD da Banda-fôrra, além de contar com a abertura da banda Vieira, que traz o repertório do disco novo, que deve sair em fevereiro, Parahyba Vive. Depois da performance, um cortejo com o maracatu Baque Mulher leva o público até uma after party na Miragem, também no Varadouro.

As músicas de Banda-fôrra (2015) traziam uma sonoridade mais setentista, em um diálogo com a música psicodélica da década e do tropicalismo brasileiro. Trilha, em contrapartida, vem com uma pegada mais anos 1980, com a presença dosada de sintetizadores.

Esse caminho, de acordo com o vocalista Guga Limeira, foi algo que surge no meio do processo, ao invés de ser algo intencional. “Eu acho que é uma coisa que partiu do repertório. A nossa grande batalha, nossa grande trilha, foi a do repertório, não a da sonoridade", declara o cantor, que também é co-compositor de diversas faixas do registro.

Outro fator preponderante foi o estúdio em que gravaram Trilha, o Mutuca, administrado por membros do grupo instrumental Burro Morto. "Os sintetizadores, que evocam muito os anos 1980, têm muito a ver com eles e estavam à nossa mão muito facilmente”, conta Guga.

Outra diferença em relação ao repertório de 2015 são as temáticas das faixas. Desde a apaixonada "Trilha sonora" – a primeira das novas canções a ser apresentada, ainda no ano passado –, até o rompimento e a ressaca de faixas como "Diz nos meus olhos" e "Abril", amor e desamor são temas que orbitam ao redor de Trilha.

Para o grupo, isso até chegou a ser uma questão no começo, diante de um período político e social conturbado que o Brasil vem passando, mas logo isso se dissipou. “Às vezes, eu tenho receio de as pessoas ouvirem esse repertório e acharem ele descolado da realidade, mas vejo que não tem nada a ver. O amor e os dramas individuais são atemporais, comunicam, e também são políticos. Em um tempo que a gente tem que lidar com malabarismos políticos e opressões, essas músicas tendem a nos homogeneizar. Acho ingênuo achar que amor e desamor não são políticos”, declara Guga.

Além de Guga, o grupo atualmente é composto por Ernani Sá e Hugo Limeira (guitarras), Matteo Ciacchi (baixo) e Lucas Benjamin (bateria), a adição mais recente, que também toca na banda Flor de Pedra. Falando nela, Guga vê com entusiasmo a cena musical paraibana atual. “Existe uma potência na música feita aqui, uma tendência ao experimento, a testar limites. A mudança é o que permanece e Trilha tem tudo a ver com isso, uma busca por refinamento, especialmente no jeito de comunicar”.

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