quarta, 20 de janeiro de 2021

Cultura
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‘Até o Último Homem’: história real com melodrama

Renato Félix / 03 de fevereiro de 2017
"Quando há paz, os filhos enterram os pais. Quando há guerra, os pais enterram os filhos". É com esse tipo de lugar-comum que estamos lidando em Até o Último Homem (2016), filme dirigido por Mel Gibson que concorre a seis Oscars, incluindo melhor filme.

O filme deixa bem claro desde o começo que conta a história real de Desmond Doss (Andrew Garfield), que se alista no expercito americano, na II Guerra, sem intenção de dar um tuiro sequer. Quer servir como médico e apenas salvar vidas. Precisa, primeiro, enfrentar o preconceito e o descrédito dos próprios companheiros. Depois, encara sozinho o perigo no topo de um paredão, resgatando feridos durante uma batalha e depois dela, com as tropas japonesas dominando a área.

É uma história impressionante, sem dúvida, o que seria mais um motivo para Mel Gibson não dourar a pílula. Garfield faz o que pode contra a carolice e o pendor melodramático do diretor.

Há uma boa cena, quando os soldados chegam ao topo do paredão, em meio à névoa e ao suspense. Mas em geral Gibson usa mais clichês que um filme de guerra dos anos 1950 (o beijo na namorada com o trem partindo, câmeras lentas em momentos chave) e ainda um muito desnecessário momento de elevação ao céu no final.

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