segunda, 10 de dezembro de 2018
Artes
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‘Turma da Mônica – Lembranças’ é o último volume da série de Vítor e Lu Cafaggi

Renato Félix / 18 de fevereiro de 2018
Foto: Divulgação
Com Laços (2013) e Lições (2015), os irmãos Vítor e Lu Cafaggi se colocaram entre os autores mais bem-sucedidos do selo Graphic MSP, em que personagens de Mauricio de Sousa ganham releituras. A Turma da Mônica na versão dos mineiros ganhou há pouco uma terceira e – segundo eles – última edição: Lembranças.

Os Cafaggi são, com o álbum Laços, egressos da primeira leva de quatro graphics MSP (grupo no qual esteve o paraibano Shiko, com Piteco – Ingá). A eles coube reinventar nada menos que os principais personagens de Mauricio: o grupo formado por Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali.

A eles, a dupla adicionou doses já conhecidas de ternura de seus trabalhos anteriores e referências a filmes de garotos dos anos 1980, como Os Goonies (1985). De lá para cá, os três álbuns fazem um movimento que vai se distanciando da narrativa em que os personagens têm um objetivo central a cumprir para lidar com dilemas interiores.

Em Laços, o Floquinho, cachorro do Cebolinha, desaparecia e os personagens precisavam encontrá-lo. Lições já era diferente. O grupo era separado e precisava aprender a lidar com isso. os problemas a serem resolvidos eram questões pessoais de cada personagem, orbitando em torno desse tema principal.

Lembranças vai mais fundo nisso. Nem parece haver uma clara questão central. Duas tramas correm paralelas: Mônica não é convidada para a festa da riquinha Carminha Fru Fru e Cebolinha e Cascão são ameaçados pelo valentão Tonhão.

Salpicado de referências

Boa parte da trama é uma painel de saudades da infância: dormir na casa da amiga, passar na banca para comprar gibis novos, brincar de pega-pega (ou pique) e de telefone sem fio, fazer uma cabana no quarto com lençóis, a paixonite por uma garota mais velha. A trama faz questão de mostrar esse cotidiano que aproxima a turma de todos os seus leitores (os que ainda são crianças e o que já foram).

Cebolinha também se empenha na reconstrução de seu clubinho, uma casa na árvore derrubada pela chuva.No fim, as duas tramas (Magali e Mônica de um lado; Cebolinha e Cascão do outro) vão confluir para um mesmo ponto que vai mostrar que, na verdade, aquilo que todos eles buscavam sempre esteve, na verdade, nos outros três.

Vitor volta a cuidar da maior parte dos desenhos, no tempo presente, enquanto o traço hiper gracioso de Lu mais uma vez contribui com os flashbacks. E as páginas são salpicadas de referências ao próprio universo da Turma da Mônica clássica, como ao longa A Princesa e o Robô (1983). E a outros quadrinhos como Luluzinha e Calvin & Haroldo.

Com páginas menores com os quadrinhos centralizados funcionando como separação de capítulos, Lembranças avança em um tom mais intimista, que fixa uma continuidade. Jamais um final.

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