quarta, 20 de setembro de 2017
Artes
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Rio de Janeiro traz artistas que se baseiam na filosofia oriental

André Luiz Maia / 15 de setembro de 2017
Foto: Divulgação
O Oriente está no nosso imaginário de maneira dupla e até mesmo paradoxal. Bonsais, gueixas e cenários naturais de beleza peculiar coexistem com aparelhos eletrônicos de última geração, desenhos animados frenéticos e inovação tecnológica.

A exposição Outras Ideias, que fica em cartaz até o dia 5 de novembro no Oi Futuro Flamengo, Rio de Janeiro, traz dois artistas que se inspiram nessa dualidade em suas obras de arte: o japonês Azuma Makoto e o americano Daniel Arsham. Com propostas artísticas singulares que desafiam as leis da natureza e estimulam a imaginação, eles encabeçam a primeira edição da mostra de arte pública.

Simultaneamente, o Oi Futuro abrigará uma mostra referencial com cerca de 20 obras dos artistas, entre esculturas, vídeos e pinturas, que ocuparão os oito níveis do espaço cultural da Oi, além de realizar duas intervenções urbanas no Aterro do Flamengo, às margens da Baía de Guanabara. Enquanto Azuma trabalha com flores em decomposição em um ambiente aberto, Daniel subverte a estética usual do jardim japonês o apresenta como um ambiente árido. “Makoto Azuma criou uma forma de arte muito singular, que explora o efêmero das plantas e flores colocadas nos mais variados contextos geográficos.

Daniel Arsham explora a simulação do presente projetado no futuro na forma de ruína. Esse contraste entre o que entra em decomposição e o que é o resquício é uma metáfora forte dos nossos tempos”, explica o curador da exposição, Marcello Dantas. Desde muito tempo, o grande referencial das artes era a Europa e, logo depois, os Estados Unidos, mas com o tempo isso foi se modificando. “Esses dois lugares do mundo passaram por mudanças drásticas nos últimos anos. A Europa se tornou extremamente xenófoba, estabelecendo um abismo civilizacional. Enquanto isso, os Estados Unidos vivem a era Trump, com a interrupção de diálogos em diversas frentes.

Diante deste cenário, surge a possibilidade de buscar outros lugares como interlocutores possíveis. Um deles é o Japão. Diferente da China, que destruiu boa parte de sua memória durante a Revolução Cultural, o Japão preservou boa parte de sua sabedoria milenar, ao mesmo tempo em que olha para o futuro com o uso da tecnologia de forma pouco convencional”, completa Marcello. (O repórter viajou ao Rio de Janeiro a convite da Oi Futuro).

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