quinta, 24 de janeiro de 2019
Artes
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Paraibano, radicado no Rio, artista plástico Antônio Dias morre aos 74 anos

Ainoã Geminiano / 02 de agosto de 2018
Foto: Reprodução
O mundo das artes lamentou a perda do artista plástico paraibano, Antonio Dias, que morreu na tarde dessa quarta-feira (1º), na cidade do Rio de Janeiro. Aos 74 anos, Antonio Manuel Lima Dias lutava contra o câncer, mas foi vencido pela doença. Nascido em 1944, na cidade de Campina Grande, Dias se mudou para o Rio aos 14 anos de idade e morou até os últimos dias na praia de Copacabana, Zona Sul da cidade.

O artista herdou dos avós as técnicas do desenho e em 1965 foi para a Europa, onde estudou técnicas de pintura, graças a uma bolsa de estudos que ganhou na Bienal de Paris. No final da década de 50, Dias trabalhou no Rio de Janeiro como desenhista de arquitetura e com desenho gráfico. Também foi aluno da Escola Nacional de Belas Artes. No currículo de formação, o paraibano tinha passagens por importantes escolas de Paris, Milão, Nova York, Índia e Nepal.

Em 1992, Dias se tornou professor da Sommerakademie für bildende Kunst, em Salzburgo, na Áustria e, no ano seguinte, passou a lecionar na Staatliche Akademie der bildenden Künste, em Karlsruhe, Alemanha.

Amigo de Antônio Dias, desde os anos 70, quando foi morar em Milão, o crítico de arte Paulo Sérgio de Castro Pinto Duarte testemunhou a trajetória do artista paraibano. “Foi por causa dele que me tornei crítico de arte. Nos tornamos amigos em Milão e conversávamos muito na casa dele, sobre as obras dele e certo dia ele sugeriu que eu escrevesse sobre o que falávamos. O primeiro artigo meu sobre a obra de Dias foi publicado na Art Press, nº 6, que ainda hoje é uma das revistas mais importantes do mundo. Foram inúmeros artigos. A última publicação foi um livro, que escrevi em parceria com Achille Bonito Oliva, sobre a obra de Dias”, disse.

Segundo Paulo, Antônio Dias era o grande nome da pintura contemporânea, não só no Brasil. “Ele fez muitas obras como filmes, super 8, instalações, mas a coluna dorsal de sua carreira era a pintura. Suas obras hoje têm um alto valor financeiro, para os parâmetros brasileiros”, acrescentou.

Orgulho de ser paraibano. No testemunho do amigo Paulo Sérgio, a lembrança de que Antônio Dias sempre falava do orgulho que tinha de ser paraibano. “O sofrimento dele acabou e ficou sua obra magnífica, que deve ser motivo de orgulho para todos os paraibanos. Dias sempre falava de suas origens e o povo paraibano deve estar engrandecido em sua obra”, concluiu.

 

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