quinta, 04 de março de 2021

Artes
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Olhares indígenas: paraibano Albert Lacet expõe a partir de sexta-feira

Kubitschek Pinheiro / 16 de setembro de 2015
Foto: Arquivo
A temática indígena do artista plástico paraibano Alberto Lacet vai viajar para o continente europeu. Nesta sexta-feira ele inaugura a Mostra “Índios Brasileiros”, em Estrasburgo, na França, no saguão do Edifício Sede da União. As telas são focadas no tema de apoio humanitário à tribos indígenas do nosso país, dentre elas, a dos índios potiguaras da Paraíba. No dia 25, sua mulher Fátima Chianca defenderá sua tese de doutoramento na Universidade de Estrasburgo, cujo tema preponderante versa sobre a criação de um museu para o já referido povo Potiguara.

O artista, que vem publicando seu trabalho quase que diariamente nas redes sociais e também num blog, explica que foi através desse contato que uma pessoa ligada as artes e ao mundo acadêmico francês, que viu as imagens das pinturas com a temática dos índios brasileiros e fez chegar até a Fundação Aruana, sediada na França. “Essa fundação foi criada para dar apoio a várias etnias indígenas espalhadas pelo mundo, dentre elas a comunidade Potiguara, da Paraíba. Aí veio o convite para a exposição dos meus quadros lá”, diz.

Há anos, lembra Lacet, o escritor e cineasta pernambucano Fernando Monteiro, que tocava um projeto de cinema, pediu para entrar em contato com os líderes indígenas de Baía de Traição e ver com eles quais as condições para que aquela reserva servisse de locação para o filme, e que, por razões outras, acabaria não se realizando.

“Minha companheira estava comigo numa dessas viagens à Baía, e essa estadia foi decisiva para que ela se resolvesse pelo tema que de algum tempo vinha conjecturando para sua tese: Os Indígenas da Baía de Traição. Quanto a mim, pinto as etnias há muito tempo, mesmo”.

Lacet, que trabalha com artes plásticas há 36 anos, começou a pintar esta série de índios do Brasil sem motivações de natureza sociológica, antropológica ou movido por sentimentos humanitários, além, daqueles naturalmente humanos de fazer arte.

“Preparava uma aula na qual tentaria passar aos alunos, conforme prometido, uma apresentação – bem simplificada - do que seria oesquema conceitual de cores que comumente se atribui ao pintor francês Paul Cézanne”, lembra ele. E segue: “Tinha acabado de ligar a televisão para ver o noticiário e, entre uma coisa e outra, repassava mentalmente os termos dos princípios ‘cezannianos’ quando, na minha frente, surgiu o rosto de um índio com seu cocar, adereços de cabeça e pintura corporal, e eu, distraidamente, disse para mim mesmo: vou pintar esse tema”, revela.

Hoje seu trabalho está focado em muitas etnias. “Se eu fosse pintar um quadro por dia representado uma etnia brasileira, teria de fazer uma reserva de mais de mil dias. Tenho pintado com base nos adereços dos indios Wallapiti, Jê, Karajá, Yanomâmi, Waurau, Munduruku, Karib, Kaapor...”.

Voltando ao tema Potiguaras, ele tem acompanhado essa realidade em que vivem, sem, no entanto, ter qualquer pretensão de meter-se em seus assuntos. “Sei que estão sempre oscilando ao vento das medidas governamentais, e que a história da ocupação branca não tem sido nada generosa para com eles, de um modo geral para os índios do Brasil”.

Leia mais Portal Correio da Paraíba.

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