terça, 16 de julho de 2019
Artes
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Norte-americano Philip Huber fala ao correio sobre seu trabalho com marionetes

André Luiz Maia / 13 de novembro de 2018
Foto: Divulgação
A magia da manipulação de bonecos está preenchendo João Pessoa durante esta semana. O Sesi Bonecos do Mundo chega pela primeira vez à cidade trazendo uma série de atrações nacionais e internacionais. Por falar nos estrangeiros, nessa terça-feira (13) é a vez de conferir The Huber Marionettes.

Com duas sessões no Teatro Santa Roza, o espetáculo Animação Suspensa apresenta diversas cenas produzidas pelo aclamado mestre de maionetes norte-americano Phillip Huber. Famoso por fazer diversas colaborações para filmes, programas de TV e também para a Broadway, o artista tem décadas de experiência, refletidas neste espetáculo. Sua ideia é fascinar públicos de todas as idades.

Huber já se apresentou em diversas partes do mundo e, por isso, adquiriu bastante experiência, o que o ajudou na concepção do espetáculo.

"O teatro de marionetes sempre foi considerado um ramo incomum do teatro. Algumas culturas têm um laço cultural forte com essa expressão e o público guarda boas lembranças da infância, mas outros países deixaram isso de lado, tratando como uma expressão ultrapassada e exótica. Sempre vi marionetes como uma forma de arte teatral genuína, com possibilidades infinitas", declara o artista, em entrevista ao CORREIO.

O fascínio pelo teatro de bonecos vem da primeira infância. Seu primeiro fantoche veio na figura de um simpático cachorrinho de mão, quando tinha apenas três anos, dado por sua mãe. "Ela percebeu que eu era muito tímido e pensou que aquilo poderia ajuda a me expressar melhor", relembra Huber. Não deu outra.

Desinibido, fazia pequenos shows para sua família na sala de casa. Ao perceber que o filho tinha gostado daquilo, decidiu presenteá-lo aos cinco com uma marionete. Era só o começo, já que parentes e amigos começaram a presenteá-lo com mais bonecos em aniversários e festas de Natal.

Aos 15 anos, ele construiu sua própria marionete, algo que o faria se autodeclarar como um profissional naquele ofício, dividindo seu tempo entre os estudos do ensino médio e faculdade com shows de marionetes. Assim que concluiu o ensino superior, foi contratado por um mestre famoso, Tony Urbano, e, oito anos depois, fundou sua própria companhia, em 1980.

Sétima arte. Com a The Huber Marionettes estabelecida, surgiram os convites para trabalhar em programas de TV e em filmes. Um de seus primeiros trabalhos, ainda com Tony Urbano, foi para o filme John Denver and the Muppets: A Christmas Together. No entanto, seu trabalho mais conhecido é Quero Ser John Malkovich, de Spike Jonze, em que um rapaz descobre literalmente uma porta para a mente do ator John Malkovich.

"Jonze ouviu falar do meu trabalho e foi até meu local de trabalho me visitar. Ele me falou sobre o projeto e aceitei o trabalho na mesma hora", lembra Phillip.

Mais recentemente, foi a vez de uma cena em Oz: Mágico e Poderoso, quando Sam Raimi o procurou para criar uma cena usando uma garota marionete similar à China Girl que aparece em Quero Ser John Malkovich. "Ele ficou impressionado com a qualidade dramática que poderia ser transmitida por um marionete", conta. Para chegar ao resultado visto no filme, a ação criada por Huber foi digitalizada e animada no computador.

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