quarta, 27 de janeiro de 2021

Artes
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Mercado da arte: paraibanos dizem como funciona a comercialização

André Luiz Maia / 19 de fevereiro de 2017
Foto: Divulgação
A Paraíba é terra de grandes artistas plásticos, das mais diversas vertentes, estilos e técnicas e o reconhecimento disso ultrapassa as fronteiras. Mas como é o mercado da arte no contexto paraibano? Como esses artistas comercializam suas obras e qual é o papel das galerias de arte neste contexto? O CORREIO entrevistou artistas e galeristas para entender como funciona o mercado e quais são os critérios para a precificação de uma obra de arte.

Flávio Tavares é um dos nomes consolidados na Paraíba e mantém seu ateliê em sua casa, em João Pessoa. Diferente de alguns artistas, que abrem suas portas para receber excursões de turistas, Flávio é mais reservado. “Até mesmo por ter o ateliê ligado à minha casa, eu prefiro deixar as visitas mais restritas”, comenta.

A comercialização de seus trabalhos se dá essencialmente através das exposições que realiza em várias partes do país e até mesmo no exterior e em galerias como a Gamela, em João Pessoa. O mesmo expediente é adotado por Clóvis Jr., que recentemente voltou de uma exposição em Nova York e já tem datas no exterior agendadas para este ano. “O artista só consegue vender suas obras se permanecer constantemente à procura de novos compradores. Diferente de um carro, que o comprador tem um prazo previsto para trocar para um novo, o consumidor casual de artes plásticas demora para comprar uma nova”, analisa.

Na opinião da artista plástica Cristina Strapação, o mercado de artes de João Pessoa não é estabelecido e percebe pelo menos três tipos de consumidores de arte. “Há os que procuram obras para decoração de ambientes, que chegam muitas vezes orientados por arquitetos, aqueles que vão à galeria e compram uma obra por uma questão de status e, em uma parcela muito pequena, os apreciadores de arte que se interessam pela obra e enxergam valor”, pontua. Assim como Flávio e Clóvis, Cristina também circula por outros estados, como o Paraná, sua terra natal, e outros países para fazer com que sua arte tenha saída.

Roseli Garcia é proprietária da Galeria Gamela, que atualmente está localizada no bairro de Tambaú, em João Pessoa, e trabalha com o campo das artes plásticas há mais de 30 anos. Na Gamela, é possível encontrar obras de diversos artistas em faixas de preço variadas, desde pequenas obras a R$ 10 até painéis de R$ 50 mil e R$ 70 mil. “Nós trabalhamos com uma diversidade obras e técnicas, o que traz uma opção variada para os clientes, especialmente os turistas, que podem comprar uma obra mais portátil e transportá-las com facilidades para seus estados e países de origem”, explica a galerista.



O galerista e analista de marketing Nelson Rossiter comanda a Rossiter Decor, situada no Mangabeira Shopping, e tenta trazer os conceitos do marketing para dentro do mercado da arte. Ele alerta que os critérios para a precificação das obras é subjetivo, mas passa por diversas questões, o que inclui uma análise de mercado. “O que conta, principalmente, é a projeção que o artista tem dentro do mercado da arte e a trajetória do artista, mas não só isso. É preciso analisar cada praça. Uma obra avaliada em R$ 80 mil no Recife pode não conseguir saída no mercado paraibano e artistas que não possuem projeção lá podem encontrar uma maior valoração aqui. Na hora de colocar um valor em cada obra, é preciso analisar todas essas questões”, explica.

O crítico de arte, artista e curador Dyógenes Chaves enxerga o mercado de arte paraibano embrionário. “Se me fizessem essa mesma pergunta há 20 anos, a resposta seria a mesma. É complicado falar de mercado de arte na Paraíba porque quem está dando sustentabilidade ao comércio de obras aqui são os arquitetos e os empreendimentos imobiliários. A maioria dos colecionadores já morreu e não temos museus que ajudem a dar visibilidade à quantidade superlativa de bons artistas que há na Paraíba”, analisa.

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