sábado, 23 de janeiro de 2021

Artes
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Márcio Pontes transforma escultura sucata de veículos

Kubitschek Pinheiro / 29 de abril de 2016
Foto: Márcio Pontes
Arte e aço. Uma vida inteira a se dedicar às possibilidades plásticas do aço. Essa é a missão do escultor paraibano, Márcio Pontes, que desponta como a novidade nas artes plásticas da Paraíba. O aço em sua obra de arte é uma coisa fantástico e ele vem pavimentando seu chão.

O artista diz e está certo, o desenho, é sua companhia desde menino. Ele conta: “Desde pequeno eu gostava muito de desenhar, que era uma brincadeira mas que me deu uma base. Depois me formei em Educação Física e aí veio a formatação da anatomia, tudo isso somado a minha profissão - sou mecânico, aí tudo foi se encaixando”.

Pontes trabalha na oficina do pai, George Alves da Silva, e é de lá que vem a matéria prima de seu trabalho – automotivo: são peças, parafusos, peças de suspensão, do motor, freios, caixa de marcha etc. Tudo que está relacionado a carros. “Sim, a maioria do material que uso é automotivo, o que sobra dos serviços, procuro mais material nas oficinas dos amigos, mas uso também o metal como talheres, cadeados, chaves, o que for de metal, eu reutilizo. O que está lixo vira arte”, lembra.

Pontes entre pontes. Há três anos no mercado, o jovem artista, que era apaixonado por motocicletas e perdeu a conta de quantas miniaturas já fez de motos, mas antes de enveredar pelas artes, morou na Europa. Foram três anos naquele continente. Passou por Madri na Espanha e não encontrando saídas decidiu ir para Portugal.

Em Lisboa fez a trilha natural: procurou trabalho, emprego. Fez de tudo um pouco, trabalhou na construção civil, na colheita de frutas até que esbarrou numa oficina autorizada de motos Honda. “Lá tive contatos com motos – minha grande paixão”.

De volta a João Pessoa, conversando com amigos, um deles lhe mostrou uma moto feita de sucata, que teria comprado em Daytona– EUA. Ousado, Márcio falou que conseguiria fazer uma moto melhor do que aquela que o estava sendo apresentada. E fez. “Fiz melhor. Era como se o desenho estivesse entalado em mim”, registra.

Pontes lembra que depois que construiu a moto, vieram animais, figuras, objetos, sapatos de mulheres. Ou seja, sua arte se expandiu abrindo portas para os olhos do mundo. “Exato, percebi que tinha habilidade para fazer muita coisa”.

No momento, Márcio Pontes esta trabalhando numa escultura de uma mulher tamanho natural, com um metro e oitenta. “Essa escultura, quero terminar até o Dia das Mães. É uma mulher grávida, muito bela. Estou pegado nessa peça até tarde, mas vou concluir. Nessa obra estou usando apenas material automotivo”, arremata.

E não pense que ele abandou o trabalho na oficina. Não, até porque seu ateliê mora ao lado. “Rapaz, nasci e me criei em oficina mecânica. O que tem parafuso não me mete medo, entro e saio do outro lado. Como eu falei, trabalho na mecânica, mas entre um serviço e outro vou lá e adiantou as esculturas. Quando chega um carro, eu paro e vou consertar, o que às vezes é muito ruim porque estou ali focado na obra”, desabafa.

Pontes não tem catalogado quantas esculturas já produziu – cerca de 80 - e desse volume já vendeu muitas. Outra característica do artista é que todas as suas obras têm a cor natural do metal, não são pintadas. “Tenho uma coleção de sapatos femininos que impressiona. As mulheres adoram e os maridos compram para presenteá-las”.

Assim vai crescendo o trabalho de Pontes, jovem artista que tem em casa um peixe – mero, que pesa noventa quilos, centauros, figuras da mitologia grega, arqueiros, obras de arte para uma grande mostra.

Márcio Pontes

Ateliê: Márcio Marciano

Endereço: Rua Flodoardo da Silveira, 123, Conjunto Brisamar.

Contato: 98703.5702

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