sábado, 19 de outubro de 2019
Artes
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Jackson do Pandeiro terá homenagens no Centro Cultural Banco do Nordeste

André Luiz Maia / 19 de janeiro de 2019
Foto: Divulgação
Rei do Ritmo é o epíteto que resume a trajetória de Jackson do Pandeiro na música brasileira. A percussividade latente em suas músicas, evocando a ancestralidade da música africana e o desenvolvimento disso no contexto nordestino encantou o Brasil e o mundo. Em 2019, caso estivesse vivo, completaria 100 anos e, diante deste marco, várias homenagens já começaram a ser feitas.

O Centro Cultural Banco do Nordeste promove hoje um grande evento que engloba diversas atrações relacionadas a Jackson. Começa com a apresentação do espetáculo teatral Ópera do Pandeiro e também conta com apresentações musicais de Sérgio do Acordeon e de uma união entre as bandas Cabruêra e Os Fulano no projeto Jackson Racional e os Afrobatuques.

O espetáculo da companhia Bicho de Ruma é dirigido por Misael Batista e tem como objetivo apresentar a história de Jackson para o público em geral. “A gente faz um musical que aborda todo o ciclo de vida dele, acompanhando os passos que deu em cidades como Alagoa Grande, Campina Grande, João Pessoa, Recife e Rio de Janeiro”, pontua o produtor Valdir Santos.

Composto por 25 artistas, a peça busca pôr em evidência a essência de Jackson do Pandeiro e da cultura nordestina. “Ele foi uma figura muito importante para a consolidação da cultura nordestina no âmbito nacional”, completa Valdir.

Logo depois, é a hora dos shows, apresentados no Calçadão Mundinho Teodoro, ao lado do mural de grafite elaborado pelo artista plástico Shiko em homenagem a Jackson do Pandeiro. O sanfoneiro Sérgio do Acordeon se apresenta às 20h, com repertório mais tradicional, calcado no forró pé-de-serra. No entanto, o dia de homenagens também abre espaço para o repertório mais “lado B”, com o show Jackson Racional e os Afrobatuques, fruto da união das bandas paraibanas Cabruêra e Os Fulano.

O projeto mergulha nas canções da fase racional de Jackson do Pandeiro e no período em que ele foi influenciado pelos toques do candomblé. Pouca gente lembra ou sabe, mas durante a década de 1970, Jackson esteve no grupo de artistas como Tim Maia e Orlando Silva que frequentavam a Universo em Desencanto.

O misto de filosofia, religião e seita inspirou o paraibano a compor uma série de canções que trazem em suas letras os princípios místicos da organização. Desse repertório destacam-se “Mundo de paz e amor”, “Acorda meu povo” e “Luz do saber”.

O convite para resgatar essa história partiu da Cabruêra, que se junta a Os Fulano para reapresentar essas canções com novos arranjos. “Poder reler esse momento da carreira dele e ao mesmo tempo trazer a luz um repertório praticamente inédito foram os fatores primordiais que nos levaram a montar esse projeto, num momento importante onde celebramos o centenário de nascimento do Rei do Ritmo”, explica Arthur Pessoa, vocalista da Cabruêra.

Os “afrobatuques” do título surge, principalmente, peça característica marcante dessa fase musical, mas também remetem à filosofia contida nessas canções. “Essa fase de Jackson fale sobre a vida, a leveza, o respeito ao próximo e ao meio ambiente, fala de autoconhecimento, coisas estas que vem muito de encontro ao momento em que vivemos”, pontua Jader Finamore, de Os Fulano.

Ele afirma que esse show celebra um dos mais importantes legados da música nordestina e brasileira. “Jackson possui um talento ímpar para mudar os acentos das vogais e a colocação das palavras nas frases, atrasando ou acelerando o ritmo, tudo criado na brevidade de um improviso momentâneo.

Outra importância dele foi a mistura clara e direta entre o forró e o samba, difícil dizer qual dos ritmos é mais predominante, ficando claro apenas quando ele queria deixar claro o que predominaria naquele momento. Um domínio natural de quem é genial”, completa Jader.

'Ópera do Pandeiro' + 'Jackson Racional e Afrobatuques'

Hoje, às 19h30.

Centro Cultural Banco do Nordeste (R. Coronel José Gomes de Sá, 7, Centro, Sousa – 3522.2980 – https://www.bnb.gov.br/centro-cultural-sousa – http://www.facebook.com.br/ccbnb)

Entrada franca

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