terça, 13 de novembro de 2018
Artes
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Heloísa Maia realiza exposição com imagens da vida e de lugares

Kubitschek Pinheiro / 08 de agosto de 2018
Foto: Divulgação
Heloísa Maia está de volta. Ela inaugura mega exposição nesta quinta-feira, às 20h, na Usina Cultural da Energisa, em João Pessoa. O nome da Mostra é bem literário: “On the road” e nos remete para o escritor estadunidense Jack Kerouac, autor do livro “On the Road” (no Brasil, lançado muitas décadas depois pela L&PM como o titulo “Pé na Estrada”). A obra do “beatnik” influenciou muitas gerações mundiais.

A frase “Geração Beat” foi criada por Kerouac, em 1948, por caracterizar a juventude anti-conformista em Nova Iorque naquele tempo. Heloisa avança no tempo. A exposição tem curadoria de Dyógenes Chaves e quem assina o catálogo é Juca Pontes e ficará aberta para visitantes até 8 de setembro. Imperdível.

“O nome é isso mesmo, On the road, pé na estrada. Eu sou uma pessoa muito nômade. Já morei em vários lugares do mundo e eu sempre coloco no meu trabalho experiências de onde estou passando”, avisa a artista pessoense radicada há anos nos Estados Unidos.

Na verdade, “On the road” abre as comemorações dos 15 anos da Usina Cultural e tem realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da Energisa Paraíba. A artista foi convidada pela curadoria para participar do Edital de Ocupação da Galeria da Usina Cultural Energisa 2017-2018.

“O convite para vir expor aqui foi muito legal. E chegou num momento em que estava voltando de uma viagem que eu fiz ao Vietnã e Camboja (países asiáticos da Indochina). Tem várias coisas nesta exposição que foram inspiradas nessa viagem. Essa parte aqui ( aponta ela) em preto e branco eu já havia começado em New York. E só depois de se mudar para Miami onde montei meu ateliê, foi quando comecei a produzir obras maiores e ai fui realizando esse projeto. Ter um atelier grande em Miami me facilitou dar continuidade em série”, afirma.

A cosmopolita Heloisa Maia já ultrapassa os 30 anos de carreira. E essa é sua primeira vez na Usina Cultural. A maioria das pinturas e desenhos são feitos em grandes superfícies Heloisa desenvolve seus personagens oriundos das suas pisadas no mundo, seja em New York ou em João Pessoa ou algo assim como Paris.

São 44 obras em desenhos e painéis com pinturas sobre linho e papel francês, todas da sua safra de 2018, apenas três telas de 2016, em acrílico. De cara, vamos encontrar personagens coloridos e em preto e branco, homens, mulheres e sombras com rostos do cotidiano das metrópoles, dos lugares mais longínquos - alguns vibrantes, outros em silêncio, signos de seres ou não seres.

“Eu gosto de trabalhar com grupos. Tem muitas imagens do Vietnã e não é apenas nessas telas que vão esgotar o que registrei no meu olhar nessa última viagem que fiz. Essas cores quentes são vietnamitas e vão continuar na minha obra, que eu já fazia antes”, anuncia.

Não existem modelos ou a necessidade deles, apesar de todos os personagens estarem nas cidades, nos sinais, nas arquibancadas, nos gritos soltos no ar e nas maravilhas e horrores que cercam as cidades. Esses personagens em duplas ou solitários, cujos destinos são desconhecidos, eles são nômades também? “Sim. Eles também são nômades. Eu acho que todo meu trabalho tem essa conotação auto-biográfica. É uma mistura e existe um entrelaçamento maior. O mais próximo do meu trabalho é justamente essa pessoa sozinha na tela expressando aquilo que ela está sentindo naquele momento”.

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