quinta, 18 de julho de 2019
Artes
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Guarabira sedia Festival Internacional de Arte Naif com mais de 100 trabalhos

Clóvis Roberto / 22 de maio de 2019
Foto: Divulgação
Simples, primitiva, espontânea, moderna, inocente. Esses adjetivos são empregados para definir a Arte Naif, ou Arte Primitiva Moderna, e a eles podemos somar termos como colorida, alegre, positiva, múltipla. E para divulgar e discutir este tipo de arte é que começa nesta quinta-feira (23), na cidade de Guarabira, distante 98 quilômetros de João Pessoa, o II Festival Internacional de Arte Naif (II Fian), que vai reunir obras de 110 artistas, nacionais e internacionais (foram inscritos 120 artistas brasileiros e 11 de outros países).

A versão 2019 do Fian prevê para o dia da abertura o anúncio dos premiados nos primeiro e segundo lugares e mais três menções honrosas. As obras participantes ficarão expostas até o dia 30 de junho deste ano no prédio do Centro de Documentação Cel. João Pimentel, explica o coordenador e criador do festival, o pintor Adriano Dias. “O Fian surge como mais um espaço para divulgar a arte naif. Queremos criar um circuito brasileiro de arte naif, ampliar os espaços”, comenta ele.

Além dos artistas brasileiros, o II Fian conta com a participação de pintores do Chile, Argentina, Nicarágua, Espanha, Portugal, Itália e Lituânia, entre outros.

O objetivo, segundo um dos curadores do II Fian, um dos curadores do evento, o critico de arte e professor de João Pessoa, Eudes Rocha, explica que o objetivo do festival “é de reunir num só espaço obras de artistas naïfs do mundo inteiro para não só comparar e discutir a beleza das imagens produzidas (diversidades cultural) mas sobremaneira para garantir a sobrevivência dessa técnica, desse gênero de pintura que é tão espontâneo e natural mas que sofre muitas vezes o desprezo ou discriminação de muitos dos que produzem arte conceitual ou abstrata”.

Ele acrescenta: “também objetiva informar a população que essa manifestação artística existe e é parte da cultura humana desde os primórdios”.

A Curadoria do II Fian também conta com Augusto Luitgards, crítico de Arte e Galerista de Brasília, e do crítico e professor Robson Xavier, de João Pessoa.

Na edição 2019 do Fian, os dois homenageados serão o artista baiano Waldomiro de Deus, pelo conjunto de sua obra, e postumamente o paraibano Josenildo Suassuna.

Em 2018, o homenageado foi o guarabirense Clóvis Júnior. Aliás, este ano, ele também participa do evento quando estará expondo duas obras. A primeira, “O Canto do Violeiro”, e ”O voo das Garças”, a segunda da fase que pode ser chamada de “marrom”, onde predomina os tons pasteis em sua obra. Clóvis Junior diz que “é uma honra mais uma vez participar do Fian”.

Sobre a arte naif, Clóvis Júnior define que “é uma arte que não morre nunca, que sai de dentro de cada artista. Está no sentimento e na alma. É uma arte que não precisa de escola, só basta sentir para pintar”.

" A arte naif para mim é pintar do jeito que o artista quiser se expressar, sem amarras estéticas, acadêmicas. É pintar livre, leve, solto, sem estar preso" comentou o artista plástico e criador do Fian, Adriano Dias.

Celeiro de artistas



Guarabira é celeiro de vários artistas que adotaram o naif como estilo de suas pinturas. Nomes como Adriano Dias, Clóvis Júnior., Joilson Pontes, Márcio Bezerril, José Wellington e Marby Silva ganharam destaque e atravessaram as fronteiras do país.

O crítico de arte e professor Eudes Rocha tenta explicar o sucesso do naif em Guarabira. “Eu lhe diria que é um fenômeno natural, talvez os primeiros naïfs de Guarabira tenham conseguido sucesso fora da cidade e do Estado e outros que já tinham a inclinação seguiram pela mesma trilha”, comentou.

Clóvis Júnior também enfatiza a produção de naif em sua terra natal. “Guarabira virou uma referência nacional de arte naif. Temos muitos artistas, tem uma produção muito boa, a cidade virou referência”, explicou.

A força do naif no município tem gerado frutos. Guarabira é uma das três cidades brasileiras a possuir um museu dedicado exclusivamente a este tipo de arte e que conta, assim como o Fian, com o apoio da prefeitura da cidade.

Após a primeira versão do festival, o museu recebeu doações de 78 obras para o seu acervo. “A ideia é que Guarabira se torne cada vez mais uma referência da arte naif”, frisa Adriano Dias.

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