quinta, 19 de outubro de 2017
Artes
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Flávio Tavares assina mais um painel nas fachadas de prédios de João Pessoa

Kubitschek Pinheiro / 11 de março de 2016
Foto: Arquivo
Uma das produções mais visíveis de Flávio Tavares são os painéis que podem ser encontrados em diveros pontos de João Pessoa.  A mais recente produção do artista é um painel de 10 metros de largura por três de altura, em cerâmica alta temperatura, com a imagem de Nossa Senhora das Neves. A obra foi para um hospital da cidade, na avenida Beira Rio, que será inaugurado em abril.

Na seleção dos painéis pintados por Flávio Tavares espalhados pela cidade, o tema saúde prevalece. Um exemplo é o mural da antiga Clinica São Camilo, centro de João Pessoa, uma obra da década de 1970. Outro no Hemocentro, dos anos 1980.

Mas o tema saúde não é a totalidade. Há murais na fachada da antiga Prefeitura de João Pessoa e em edifícios residenciais.

O artista revela que ficou atento, quando foi procurado para fazer a obra, principalmente à temática mística.

“Eu logo pensei em fazer com essa temática mística uma fusão com a medicina tradicional. Tive ajuda do gastroenterologista Manuel Jaime, que me sugeriu fazer uma imagem de Hígia, filha de Asclépio – ou Esculápio para os romanos – e Epione, a deusa grega da saúde. Então, comecei a imaginar de um lado Higia: fiz uma mulher com ervas na mão. E do outro lado, seu pai, com o caduceu na mão, distribuindo medicamentos com os pássaros, como se fosse o principio de semente da vida”, resume o artista.

Flávio foi buscar inspiração também em São Francisco de Assis, “que é um tema que eu gosto muito. E botei o Sol e a Lua, como representantes máximos do universo. O Sol a luz, a cura, e a Lua, os mistérios que envolvem todo o processos do misticismo humano”.

Segundo o artista, a padroeira de João Pessoa entra em cena nessa obra como um ponto de crença maior. Tavares antes de começar a fazer os desenhos e colocar a “mão na cerâmica”, foi pesquisar sobre a historia da santa.

“Sim, e fiquei impressionado. No ano de 356, um homem sonhou que no dia 4 para 5 de agosto, no Monte Esquilino, em Roma, iria cair neve. E agosto é o mês mais quente na Itália”, conta. “O Papa Libério, naquele mesmo tempo também sonhou que iria nevar em Roma e isso se concretizou e assustou muita gente na Itália: nevar em pleno calor. Daí vem a história de Nossa Senhora das Neves que está em minha obra. Ela entra na imagem de Higia, mas é Ela, Nossa Senhora das Neves”.

Tavares explica ainda que, bem mais tarde, foi construída em Roma a Basílica de Santa Maria Marjorie, em homenagem a nossa padroeira. “Já estive lá nessa igreja, mas não tinha na época o entendimento dessa história, que muito me entusiasmou a pintar esse painel. Em todas as imagens que pesquisei da santa há uma bem tocante em que ela aparece ao lado de dois anjos e no fundo uma singular igrejinha com a cruz no meio e o sino”.

O desenvolvimento gráfico do mural durou cerca de três meses. Tavares fez centenas de desenhos (hoje estão todos com o dono da obra, Elmo de Assis) que servem como acervo do mural.

“Nessa obra contei muito a ajuda da minha mulher, Alba, que preenchia os espaços importantes do quadro. Como os desenhos estão todos prontos, ela me ajudou para o painel avançasse por causa da necessidade de entrega que era uma exigência da área arquitetônica do hospital que precisava finalizar a estrutura”, explica. “Lá embaixo, onde está o painel, tem uma rampa. O painel precisava ser afixado antes da inauguração, marcada para o inicio de abril”.

Flávio já pintou em tela várias imagens de Nossa Senhora – de Fátima, de Lourdes, Aparecida – e acredita que isso tem muito a ver a presença da mãe de Jesus na vida de muitas pessoas.

“A presença de Nossa Senhora na vida dos nordestinos... É quase como se fosse a mãe da gente”, afirma.

Próximo é sobre oftalmologia

Para fechar o tema saúde dos painéis, Flávio Tavares agora está trabalhando um novo painel novo, um projeto com o arquiteto Léo Maia para uma clinica de oftalmologia, localizada em frente ao Liceu Paraibano. E há outro painel que já está nos esboços. Um projeto com tema livre com a arquiteta Ana Cibele. Este, em baixo relevo, um desenho linear.

“O primeiro projeto é um trabalho onde vou usar a íris humana que sempre foi nas catedrais góticas o símbolo do olho de Deus. Vou partir dessa rosácea – daí desenvolverei o tema da oftalmologia”.

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