domingo, 19 de maio de 2019
Artes
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Edição 2018 do Salão de Artesanato da Paraíba será aberta nesta terça-feira

Bárbara Wanderley / 18 de dezembro de 2018
Foto: Assuero Lima
O artesanato paraibano movimenta anualmente milhões de reais. Só no 29º Salão de Artesanato da Paraíba, que começa nesta terça-feira (17), é esperado que sejam movimentados R$ 1,5 milhão, entre os 389 artesãos que participam diretamente do evento e os 2.713 que estão envolvidos indiretamente. Ao todo são mais de 3 mil famílias, de 76 municípios paraibanos, beneficiadas pelas vendas, que ficam 100% com os profissionais e associações, já que o Governo do Estado não cobra nada pela participação no evento.

Uma das artesãs que será beneficiada é Joselma Alves da Silva, da Associação Farol de Cabedelo, que, há dez anos, trabalha transformando escamas de peixe em bijuterias e flores, e contou que sempre participa das feiras e salões, além de produzir por encomenda.

Joselma lembrou que antes trabalhava com artesanato em jornal, mas não obtinha um retorno financeiro satisfatório. Foi depois de participar de um curso de capacitação, com duração de uma semana, que ela aprendeu a utilizar a escama de peixe como matéria-prima. “Aprendemos só o básico e depois fomos desenvolvendo mais. As primeiras flores eram ‘só a graça’, mas hoje elas parecem rosas de verdade e o material é muito bom. Tem clientes que chegam a cheirar para ver se fede a peixe, mas a escama não tem cheiro”, disse.

Hoje, além de viver das vendas de seus produtos, Joselma também dá aula para outros artesãos que queiram aprender a lidar com a matéria-prima. “Atualmente estou com uma turma de 15 alunos”, contou.

A procura pelos produtos de escama de peixe cresceu tanto que já criou-se uma cadeia produtiva que beneficia também os pescadores, que vendem as escamas para mercados, e comerciantes, que revendem o material para os artesãos. Segundo ela, as escamas menores custam entre R$ 25 e R$ 30 o quilo, enquanto as grandes custam entre R$ 40 e R$ 50 o quilo. Antes da exploração desse tipo de artesanato, as escamas eram jogadas no lixo.

Cultura

A 29ª edição do Salão do Artesanato da Paraíba será aberta hoje, às 19h, no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa. Com o tema “O Artesanato - a economia criativa no turismo”, a expectativa é que passem pelo evento, que será encerrado no dia 13 de janeiro, cerca de 100 mil pessoas. Além de uma vasta programação cultural, que terá início na sexta-feira, sempre a partir das 19h30, será oferecida uma série de palestras e oficinas, que terá como tema principal o empreendedorismo na Paraíba.

Variedade de tipologias

O artesanato com escamas de peixe é apenas uma das tipologias existentes no estado, e que serão expostas no salão. Algodão colorido, madeira, metal, osso, chifre, arte indígena, brinquedos, couro, fibra, barro, tecelagem, habilidades manuais, fios (crochê, labirinto, renda renascença, macramê, fuxico, bordado, etc.), pedra, cordel, xilogravura e gastronomia são outras.

De acordo com a gestora do Programa do Artesanato da Paraíba (PAP), Lu Maia, o trabalho com couro é o grande destaque no estado e está presente nos municípios de Cabaceiras, Campina Grande e João Pessoa. Cabaceiras, inclusive, está sendo homenageada no evento pela sua vocação para o artesanato e economia criativa.

O crochê é a área da artesã Albamirte de Aguiar, que está participando do Salão pela primeira vez, mas já havia participado da Feira Internacional de Artesanato e da Arte, dentro da 1ª Feira Internacional de Economia Criativa de João Pessoa, realizada em novembro. Ela contou que, apesar de fazer crochê desde criança, foi depois de se aposentar de seu trabalho como pregoeira do estado que começou a levar a atividade a sério.

“Foi uma forma que encontrei de me manter ocupada depois que me aposentei, conhecer pessoas, fazer amizades. Tem feito muito bem para mim e me senti muito acolhida na primeira feira que participei”, disse. Do ponto de vista financeiro, ela garantiu que a atividade também não decepciona.

 

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