quinta, 24 de setembro de 2020

Artes
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Chico Pereira lança site e expõe na Galeria Casarão 34 a partir desta quarta-feira

Da Redação com assessoria / 28 de novembro de 2016
Foto: Divulgação
Artista de múltiplas palhetas e abordagens, inovador e memorialista da cultural paraibana, além de membro da Academia Paraibana de Letras, Chico Pereira lança seu site e inaugura a exposição retrospectiva ‘Memórias e Anotações’ nesta quarta-feira (30), às 19h, na Galeria Casarão 34, no Centro de João Pessoa. A exposição pode ser conferida de segunda a sexta, das 10h às 16h, até o dia 27 de janeiro de 2017.

Com a curadoria do também artista Dyogenes Chaves, a mostra faz um recorte dos 50 anos de atuação de Chico Pereira. São desenhos, gravuras e pinturas que passeiam pela importante carreira de Pereira, assim como uma intervenção e esboços dos murais que ele fez em prédios de João Pessoa e Campina Grande.

Já o site oficial de Chico Pereira, contemplado pelo Fundo Municipal de Cultura (FMC) em 2013, contém todo o arquivo artístico e bibliográfico dele, reconhecido como um dos pioneiros da arte contemporânea na Paraíba.

Mas segundo Dyogenes, o site não fica restrito a produção do artista e vai mais além: “O site traz a história também da arte na Paraíba, que ele conta através das instituições por onde Chico passou, como o NAC (Núcleo de Arte Contemporânea da UFPB) e o Museu Assis Chateaubriand”, comenta o curador.

Para Dyogenes, é um site que será uma referência para pesquisadores, já que é bem abrangente. “Por exemplo, se você quiser saber como foi a passagem de Rogério Sganzerla (diretor do filme ‘O Bandido da Luz Vermelha’) pela Paraíba, estará documentado através de várias cartas que ele trocou com Pereira, já que eram bem amigos (o cineasta morreu em 2004)”, acrescenta.

Conhecido como “o homem de mil instrumentos”, dado a sua capacidade de atuar como autor, produtor e pesquisador, Chico Pereira reúne estudos que Dyogenes Chaves considera fundamentais para a compreensão da cultura estadual. “O que faz dele, nos últimos 50 anos, um dos nossos mais completos artistas”, resume o curador.

Entre as obras mais significativas de Pereira está a intervenção urbana ‘Um Dia de Sol’, de 1974. Em uma atitude pioneira, ele recolheu o lixo da praia de Tambaú e exibiu-o como uma obra artística na famosa ‘Feirinha’, ponto turístico da cidade. “Pela primeira vez se experimentou a possibilidade da arte-ecologia e do seu papel nas artes plásticas”, registra a coordenadora da Galeria Casarão 34, Valquiria Farias.

Tem também o mural ‘Tropicália’, abrigado no restaurante da URNe, em Campina Grande, em 1969. Para Dyogenes, a obra é, provavelmente, um dos primeiros momentos da arte do grafite no país. “Diga-se que, na ocasião, o artista utilizou spray e imagens da Pop Art”.

Entre os livros que Chico publicou, está ‘Feira Livre de Campina Grande – Um Museu Vivo de Cultura Popular’ e ‘Os Anos 60 – Revisão das Artes Plásticas na Paraíba’, feito em parceria com o colega Raul Córdula e editado em 1980 pela Funarte/ UFPB. Seu mais recente livro, ‘Paraíba – Memória Cultural (Grafset, 2012), é tido como uma das obras que melhor mapeia a recente história cultural da Paraíba.

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