segunda, 10 de dezembro de 2018
Artes
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Artistas nordestinas mostram exposição com pinturas sobre mulheres

André Luiz Maia / 23 de novembro de 2018
Foto: Assuero Lima
Discutir o feminino e suas questões é tema recorrente na arte ultimamente. O encontro entre as artistas Georgia Cardoso e Mônica Barbosa demonstra a potência disso na exposição Flores Inquietas, em cartaz na Cosmopopeia.

Mônica é piauiense, mas morava em Fortaleza há algum tempo. Georgia veio do interior do Ceará, fez sua graduação em Psicologia na UFC e adotou João Pessoa como seu lar há alguns anos. Seus caminhos se entrelaçam como na maioria das parcerias artísticas hoje em dia: na internet.

No Instagram, Georgia foi atraída pela crueza da arte de Mônica. “É um trabalho extremamente orgânico, selvagem, uma espécie de naïf revisitado. Cru, visceral, mas ao mesmo tempo trazendo um deslocamento para o contemporâneo, daquela mulher selvagem para a cidade”, afirma a artista visual.

Mônica também gostou do que viu nos trabalho de Georgia, com o uso de cores chapadas e vibrantes, especialmente pelas temáticas afins. “Me chamou a atenção o diálogo com o feminino e a necessidade de quebra dessas amarras que temos nesse sistema patriarcal, algo que vejo também no meu trabalho”, completa a piauiense.

A exposição surge após o arquiteto Tadeu de Brito, proprietário da Cosmopopeia, abrir um edital por meio de suas redes sociais para selecionar trabalhos a serem expostos na casa localizada no Centro Histórico de João Pessoa. Inicialmente, Georgia levou sua arte até ele. “Tadeu gostou da proposta, falei de artistas que poderia ter alguma correspondência com o que eu estava propondo, dentre elas a Mônica. Ele adorou o trabalho dela e fomos construindo, então, uma exposição conjunta. Tadeu ajudou a escolher as obras, assinou a expografia e chegou junto conosco ao nome da exposição”, pontua.

A ideia de Flores Inquietas surge como uma maneira de trabalhar essas temáticas femininas que estão contidas nas obras das duas de uma maneira integrada. O trabalho de Mônica, uma autodidata formada em zootecnia que foi aprendendo a criar sua arte através da experimentação, traz traços “ásperos” e impactantes, mas quase sempre apresentam algum traço de delicadeza, seja em mãos ou pés.

“Reflete um pouco de quem eu sou. Tenho uma personalidade e um jeito de falar meio calmos, mas por dentro, eu sou essa mulher selvagem, em ebulição”, confessa. As escadas são um símbolo recorrente em sua arte, refletindo a busca por outros níveis de consciência.

Georgia, por outro lado, passa por um ensino mais "formal" da arte, especialmente durante sua estadia na França. Também terapeuta, ela une o seu trabalho na área da Psicologia com as técnicas em pintura acrílica e em aquarela, criando imagens exuberantes e com bastante simbolismo.

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