segunda, 10 de dezembro de 2018
Artes
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Artista Clóvis Júnior abre exposição individual ‘Cores da Terra’

Clóvis Roberto / 06 de dezembro de 2018
Foto: Divulgação
O artista se reinventa, desbrava fronteiras do mundo e de si próprio, é um ser inquieto. E isso sem perder suas raízes. Assim percebe-se a nova fase do paraibano Clóvis Júnior, referência internacional na arte naïf, que encontrou na cor da terra, nos tons e variáveis do marrom, um novo momento para sua arte. É com a mostra individual Cores da Terra, cujo vernissage acontece nesta quinta-feira (6), às 19h, no Centro de Lazer e Turismo Sesc Cabo Branco, na Capital, que o artista volta a expor em João Pessoa após sete anos de “ausência”.

São 22 telas que permanecerão abertas à visitação durante dois meses. Nelas, Clóvis Júnior explora as possibilidades da coloração da terra. “Pintar tom sobre tom não é fácil, exige certo cuidado, é uma nova fase”, diz ele.

A fase marrom de Cores da Terra, no entanto, não é um rompimento com as raízes. As tradicionais festas regionais, os cajus, os animais, a religiosidade, a alegria e o traço singular tão marcantes da obra de Clóvis Júnior estão presentes em cada tela. “A exposição é sobre temas marrons, o marrom é a cor das telas, dessa nova fase, mas as minhas raízes continuam lá”, explica.

Em Cores da Terra, Clóvis Júnior pincela e desbrava as possibilidades do marrom a cada tela, sem deixar de ser o mesmo artista de outrora, através de seus traços inconfundíveis. O quadro “Lampião e Maria Bonita”, exposto e premiado na edição deste ano na Bienal de Brasília, traz os famosos cangaceiros rodeados por elementos que habitam o imaginário do artista, como típicas casas interioranas, pássaros, e da cidade que adotou para morar, João Pessoa, representada pelos cajus que dominavam a paisagem do bairro do Bessa da década de 1970.

Quadros como “São Francisco” e “Cavalo marinho” são exemplos do mergulho do artista em Cores da Terra.

E o marrom foi ocupando o espaço nas telas de Clóvis Júnior aos poucos, sem ser programado. O artista revela que fez um painel encomendado para a Casa Roccia em que era a cor marrom predominante. A obra fez sucesso e o artista se rendeu aos pedidos do público que acompanha sua trajetória. É pelo instagram (@clovisdjunior) que essa interação acontece com maior intensidade atualmente.

Em variados tons de marrom, Clóvis Júnior prossegue pintando como sonhos felizes que traduzem coisas da sua terra, as Cores da Terra. Nas telas, o marrom não é triste. O tom do solo batido nordestino reina vibrante, alegre e, ao mesmo tempo, poético e suave.

Cores da Terra é Clóvis Júnior diferente, mas igual, é força sutil na leitura do artista do mundo que o cerca desde a infância. É mais um momento de liberdade da alma criadora.

O artista impresso. Junto com a vernissage da mostra individual, o artista lançará o livro Clóvis Júnior, publicado com apoio cultural do Serviço Social do Comércio (Sesc) e Federação do Comércio da Paraíba (Fecomércio-PB), a publicação traz pinturas da atual fase marrom, além de um resumo de sua extensa obra. As fotografias são de Mano de Carvalho e projeto gráfico de Jussiê Rodrigues.

A tela “Santa Ceia” retrata a fase marrom de Clóvis Júnior, em que a fé e segue o ritual do compromisso do artista plástico com suas origens. O mesmo se vê em obras como “A sereia” e”O guardião”. Em outros trabalhos, o artista permite o aparecimento de outras cores, que mesmo sem protagonismo, surgem relevantes e em harmonia com os temas, ajudando na criação de uma assinatura própria para esta fase. O amarelo, o azul, o vermelho, o verde e o rosa se apresentam, em especial esta última. “O rosa aparece em muitos detalhes. É uma cor que poucos artistas usam, mas que gosto”, diz.

Além dessas obras, estão retratadas telas da produção colorida do artista. Exemplos são telas como “Mulher tropicana” e “Cantando a vida” e “O boi do Bessa.” A publicação ainda apresenta amostras de painéis de azulejos feitos pelo pintor.

A viagem pelo mundo de Clóvis Júnior prossegue até desembarcar numa visita ao ateliê do artista, no Bairro do Bessa. “O livro é resultado de um trabalho intenso e muito gratificante”, conta o artista.

Clóvis Júnior é dedicado à terra natal do artista, a cidade de Guarabira. Como o artista revela no livro: “Dizem que é possível encontrar de tudo em Guarabira, mas é lá que me acho a cada retorno... Terra da Luz que me ilumina de perto e de longe, foi lá que me tomei coragem para descobrir o mundo e viver da arte, e a ela devo grande parte do que sou e alcancei”.

Clóvis Júnior ganhou o mundo, voa alto, sem nunca esquecer da suas origens, as cores da sua terra.

 

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