quarta, 22 de maio de 2019
Cultura
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Artista plástico Roberto Lúcio quer trazer exposição para João Pessoa

Kubitschek Pinheiro / 15 de maio de 2019
Foto: Divulgação
Com décadas de carreira, o artista plástico paraibano Roberto Lúcio, que reside em Olinda desde os anos 60, deseja montar uma exposição em João Pessoa, onde foi parido. Ele traria para nosso público suas mostras mais recentes Multiplicação da Arte, O Corpo e suas escrituras já montadas na Arte Plural Galeria, no Bairro do Recife.

“Há muito tempo não exponho em João Pessoa. Uma das últimas, foi uma coletiva na loja de Lisiane Claudino no Manaíra. Tenho ido pouco, gostaria de ir com mais frequência, sempre que vou a João Pessoa não encontro mais meus amigos, alguns já partiram, a casa dos meus pais onde passei minha infância/adolescência foi demolida, resta somente um amontoado de ausências. Mas queria expor aí..”, desabafa.

Roberto desenvolve as chamadas obras multiplicadas, a partir da técnica da serigrafia (ou silk-screen), em suporte de PVC. O resultado desse trabalho, todo ele, bastante cosmopolita poderia ser mostrado em New York, Londres, Paris e precisa ser visto na Paraíba. “São coisas inúmeras, fotografias trabalhadas”, disse o artista, sobre essa fase que nunca foi exposta ao público de maneira conjunta.

Assim como João Câmara e Raul Córdula, Roberto migrou para o estado vizinho, Pernambuco, em 1964 – “Anos pesados”, disse o artista, que em setembro fará 79 anos. “Vim estudar em Recife com a intenção de cursar arquitetura, depois migrei para Escola de Belas Artes, hoje Escola de Artes da UFPE. Fiquei um tempo em dúvida se cursava Arquitetura ou Belas Artes. Por incrível que pareça foi o olfato - e não a visão - o sentido determinante da escolha por cursar Belas Artes. Ao entrar na sala de aula de pintura, senti um cheiro forte de terebentina, eu disse: meu lugar é aqui, não irei mais cursar Arquitetura”, disse ele em entrevista ao CORREIO.

RL é pintor, desenhista, artista gráfico, desenhista industrial e professor e está entre os melhores artistas brasileiros da contemporaneidade: “Todas interligadas. Poderia dizer que caminham de mãos dadas. Continuo pintando, agora mais reflexivo, sem grandes compromissos de exposições”.

Outro destaque de sua arte é o erotismo. O erótico e a nudez, relevados pelo artista visual Roberto Lúcio, ultrapassam a arte em todas fases. Os dois temas se casam e tornaram-se objeto de pesquisa e um avanço na inflexão de sua obra. O resultado chama-se “O corpo e suas escrituras”, que é um trabalho feito a partir de fotografias.

“Realizei essa exposição de fotografias ‘O Corpo e suas escrituras’ na Arte Plural Galeria aqui em Recife, com curadoria e excelente texto de Bia Dias. Decidi eleger o erotismo como fio condutor para essa série de imagens. O erotismo está no centro de toda problemática da arte, apresenta-se como campo de reflexão que permite tecer muitas considerações, de natureza estética, social ou política”, explica.

Outra sacada são as pinturas em cores quentes, que lembram cartazes pop, num cenário de muitos flashbakcs. Coisas de cinema. Cores de Tatantino, jamais de Frida Kahlo. Além, claro, de seu trabalho com esculturas. Ele conta: “Os últimos trabalhos de pintura seria um desdobramento da série ‘Cartazes de Rua+Tapumes’. E quanto as esculturas, tenho trabalhado pouco, geralmente faço por encomenda para construtoras, para cumprir lei municipal que exigem obra de arte em edifícios. Gostaria muito de fazer esculturas para grandes espaços públicos ruas, parques, infelizmente nossos dirigentes não estão interessados”.

Roberto tem suas passagens no exterior. “Minhas experiências fora do Brasil sempre foram esporádicas. Na Europa realizei trabalhos de pesquisas de estamparia para as Empresas Ciper, nessa época dirigia o Departamento de Artes dessa empresa. O maior período que fiquei fora do Brasil foram as exposições realizadas em Berlim, Dresden, Munique na Alemanha”, pontua. “E morei uma temporada nos Estados Unidos, University Ilinois onde realizei exposição individual no Krannert Art Museum curadoria Maarten van de Guchte”.

Predileção, inspirações e saudades

É fundamental conhecer a obra de Roberto Lúcio, um dos gigantes que enche de orgulho os admiradores da sua arte. Tudo orbita nele, essa trajetória que um corpo que percorre ao redor de outro, sob a influência de alguma força, além da imagem recatada, do olhar profundo de RL.

Há uma porção de artistas que Roberto Lúcio admira ou são de sua predileção, mas ele citou alguns. Man Ray (nascido Emanuel Radnitzky, foi um pintor, fotógrafo e cineasta norte-americano, importante figura do dadaísmo em Nova York e, depois, do surrealismo em Paris), Frank Stella (artista plástico contemporâneo norte-american), Krajcberg ( pintor, escultor, gravador, fotógrafo e artista plástico nascido na Polônia e naturalizado brasileiro), Marina Abramovic ( é uma artista performática que iniciou sua carreira no início dos anos 70 e manteve-se em atividade desde então. Hoje é considerada “avó da arte da performance" e Scully (Dana Katherine Scully é uma personagem fictícia da série de televisão de ficção científica sobrenatural).

Tem saudade de João Pessoa? “Sim, da família, dos lugares, dos amigos. Dos lugares, Tambaú dos primeiros amores, Liceu onde concentrava meus amigos que moravam na vizinhança, minha turma do cano, discutindo política, teatro, cinema e primeiras experiências sexuais”, fecha.

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