terça, 13 de novembro de 2018
Corrupção
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Delegado diz que cobrança dos brasileiros deveriam ser maior por mais segurança

Adriana Rodrigues / 18 de março de 2018
Foto: Arquivo
Mudanças após a Operação Lava Jato. Mudou muita coisa, principalmente o sentimento de que nós precisamos fortalecer as instituições para o combate à corrupção. Para o brasileiro é importante que nós tínhamos permanentemente o combate à corrupção, que é uma das maiores chagas do País. Estamos tendo essa intervenção no Rio de Janeiro como resultado de um dos reflexos da corrupção.

Efeitos da corrupção. Quanto a morte da vereadora no Rio de Janeiro, ela era um ícone lá. Era uma vereadora negra, que foi para política para tentar defender os direitos de minorias e das situações da comunidade a que ela era ligada. E infelizmente parece que ela morreu por fazer esta defesa. Mas é mais uma morte no Rio de Janeiro. Só de Policiais, são mais de 50 mortes este ano. O ano passado foi um absurdo, uma matança de policiais enorme. A indignação deveria ser maior em todos os setores em relação ao caos na Segurança Pública. O caos na segurança pública não foi causados por aqueles episódios do Carnaval. Mas por causa do abandono da segurança pública no Rio de Janeiro, muito dele causado pela corrupção e desvio de recursos públicos que não chegam na conta.

Munição da PF. Essa situação da arma e da munição precisa ser mais bem investigada. Está só no início. Trouxeram este dado e esse dado pode significar muita coisa, ou pode significar pouca coisa. Pode ser simplesmente o desvio da munição por algum motivo, ou o envolvimento mais sério. Só uma investigação dirá.

Independência da PF. O que reivindicamos é um sistema de proteção da Polícia Federal. Como, no atual sistema, podemos proteger a Polícia da interferência da política econômica dos alvos que temos que atingir com essas investigações e que naturalmente vão tentar se defender? Por isso, precisamos da instituição de um mandato para o nosso diretor-geral, para que saibamos quando haverá troca de comando, a exemplo do que ocorre na Procuradoria Geral da República, que os chefes são mudados sem comoção toda que há na PF, porque é algo esperado.

Forma de escolha. Nós precisamos escolher nosso diretor-geral em uma lista e entregar para o Governo e dizer, nesta lista há três ou seis nomes que pode escolher. Porque são nomes de técnicos preparados para ser um diretor-geral da PF.

Reivindicações. Nós precisamos que o nosso orçamento seja encaminhado diretamente para o Congresso Nacional para aprovação, e não continue passando para os setores do Governo cortar esse ou aquele recurso. Precisamos garantir que nossos recursos não sejam contingenciados. Nós temos por exemplo o Funapol, que é o Fundo para onde vai as taxas do passaporte e de todos os serviços que a Polícia Federal presta, que está absolutamente contingenciado. Não conseguimos utilizar esse dinheiro dentro da Polícia Federal.

Dificuldades

Nós não conseguimos fazer concurso público sem aprovação orçamentária do Ministério do Planejamento, por isso estamos há quase 10 anos sem realizar um. Houve um concurso em 2004, outro em 2014 e nós já estamos em 2018 e ainda não tivemos aprovação. Há 4.500 cargos vagos na Polícia Federal. Só de Delegados são 628 cargos para serem ocupados.Além disso, precisamos que os cargos internos, que estão abaixo do diretor-geral, sejam nomeados tecnicamente por esse diretor, e que ele seja escolhido num mandato pela PF por meio de lista tríplice, composta somente de nomes técnicos.

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