domingo, 09 de dezembro de 2018
Consumidor
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Produção de cervejas artesanais está em alta na Paraíba

Érico Fabres / 18 de março de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
Até meados do ano passado, a Paraíba não possuía nenhuma cerveja artesanal produzida no Estado com registro do Ministério de Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa). Após o surgimento da primeira, no final de 2017 - a Vaik, de Patos -, agora mais duas cervejarias estão realizando o processo para poder comercializar a bebida.

De acordo com a ACervA Paraibana, mais outras quatro marcas devem surgir até o final do ano. Uma em João Pessoa e outra que adotou o método cigano de produzir em grande quantidade.

Os números provam que existe mercado para isso. Segundo levantamento do Instituto da Cerveja, em 2015 eram 372 cervejarias no país, contra 46 em 2005.

A Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) aponta que, de 2011 a 2014, o setor cervejeiro movimentou R$ 27 bilhões em salários, respondendo a 1,6% do Produto Interno Bruto (soma de todas as riquezas do país).

A Paraíba, no mercado cervejeiro, parece que finalmente seguiu o exemplo do que aconteceu com umas das suas mais tradicionais bebidas, a cachaça, para alavancar as vendas de artesanais.

O consumidor, que antes queria quantidade, agora quer qualidade. Não é à toa que as grandes indústrias da cerveja vêm adquirindo marcas mais populares e consagradas no mercado das brejas especiais. E quando une as duas coisas então, a coisa fica séria. Prova disso são algumas redes de supermercado quando colocam as cervejas especiais com descontos há uma grande ‘correria’ para fazer um estoque, ou ao menos até o limite permitido. Na última promoção, o estabelecimento abriu 7h e, às 7h30, já era raro encontrar alguma garrafa, principalmente das mais badaladas.

O grande empecilho é que as bebidas especiais costumam trabalhar com matérias-primas mais caras, muitas vezes importadas, o que faz com que o preço final seja mais de cinco vezes o cobrado pelas tradicionais.

Os valores variam, em média, de R$ 10 e vão até R$ 300 ou até mais. Com uma produção local, o preço pode ficar um pouco abaixo até das que são vendidas comumente em supermercados ou lojas especializadas, porém o investimento na fábrica é grande e a cobrança por parte do Mapa rigorosa nisso.

Quebrando barreiras



Até o primeiro semestre de 2017, o mercado das cervejas artesanais com registro, na Paraíba, era inexplorado. Em 2010, a cerveja Norden, a primeira paraibana, que tinha sua sede localizada em Cabedelo, surgiu com uma produção de 15 mil litros de cerveja por mês e expectativa de chegar aos 100 mil litros mês, porém os planos do empresário Morise Gusmão Neto esbarraram na falta de interesse do público e da ‘época errada’ para tal investimento. Hoje, ele é sócio da cervejaria Novo Brazil, dos EUA, cuja bebida é premiada mundialmente.

Depois disso, de 2015 para até hoje, o mercado ficou órfão de um produto paraibano, inclusive dando brecha para as cervejarias pernambucanas assumirem. Ekaut e Babylon ameaçaram, mas quem entrou foi a DeBron, mas suas estratégias foram tímidas e o público alcançado foi pequeno. No ano passado, então, a Vaik surgiu em Patos, mas ainda concentra suas vendas na região onde é produzida.

Para Dan Oliveira, presidente da ACervA Paraibana, a entrada das cervejarias artesanais paraibanas no mundo dos negócios é algo muito bom, pois permite que os cervejeiros ganhem dinheiro, já que ele não acredita que isso seja possível de forma caseira.

O cervejeiro João Galmarini, acostumado em fazer sua própria bebida, já ensaia uma entrada no mercado, porém necessita de investidores para encamparem a entrada da marca Neutrinum nos estabelecimentos comerciais paraibanos. “A ideia é ir produzindo, tornando a marca conhecida com amigos que provaram, até que possamos nos ajustar às leis exigidas para entrar no mercado”, conta.

Burocracia e impostos prejudicam

Exigências não distinguem grandes e pequenos produtores. Segundo Dan Oliveira, o grande empecilho para o registro de uma cerveja no Ministério é a parte burocrática, os impostos e exigências para nano, micro, pequenas e grandes empresas são os mesmos, em virtude de uma legislação ainda antiga.



Ele, que se intitula fazedor e bebedor, em parceria com Davi Crispim, Cauê Oliveira e Raul Dantas, está adentrando no universo empresarial da cerveja através da Quebra Quilos, uma cerveja feita através do método cigano, que utiliza instalações e registros de uma cervejaria já consolidada e existente, para produzir o seu produto.



O primeiro lote será produzido em Goiás e deve ter seu processo finalizado em abril, quando será lançada na Paraíba. Em curto prazo é a melhor opção, ainda que carregue uma carga pesada de tributos e taxas. Cada garrafa que trouxer para o Estado, será preciso pagar o valor de três.

 

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