sábado, 23 de janeiro de 2021

Conscientização
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Apenas metade dos paraibanos tem tratamento de esgoto

Aline Martins / 27 de setembro de 2017
Foto: Assuero Lima
O aposentado Severino Ananias de Paiva, 75 anos, há anos convive com o mau cheiro na porta de sua residência. O motivo é que na Rua Bartira, rua onde ele mora no bairro do Rangel, em João Pessoa, não existe saneamento básico. Por conta disso, a água das casas escorre para as vias públicas.

A ausência de saneamento ocorre em vários municípios paraibanos. Segundo o Atlas Esgotos: Despoluição de Bacias Hidrográficas publicado na última segunda-feira, apenas 59% da população conta o serviço. A pesquisa foi feita pela Agência Nacional das Águas (ANA) em parceria com a Secretaria Nacional do Saneamento Ambiental (SNSA) do Ministério das Cidades e contou com a colaboração de representantes de órgãos federais (Funasa e Codevasf), estaduais e municipais para a consolidação da metodologia de trabalho, coleta e validação de dados. Parte da Rua Bartira foi saneada, como contou o aposentado. Ele disse que na maior parte das residências tem fossas, mas mesmo assim a água vai para a rua. “Isso é horrível, a gente tem que fechar a porta porque não aguenta o fedor”, comentou.

Na Rua Inaura Leite Fontes, no bairro José Américo, a situação também é caótica. Segundo a dona de casa, Lindalva Ferreira, 47 anos, quando chove a situação piora, pois a água que sai das casas para a rua cai nas demais residências. “O mau cheiro é grande. É tanto mosquito aqui nessa rua que ninguém suporta. E aqui era bem pior há uns 10 anos atrás. A água entrava todos os dias na minha casa. E só melhorou porque eu e o meu vizinho colocamos um cano grande na porta de cada um para poder a água passar”, ressaltou. Já no bairro do Cristo Redentor, na Avenida Brasil, parte da rua foi saneada e o problema é visível na rua, segundo relatos de moradores.

Pesquisa

Sobre a pesquisa realizada em 5.570 municípios, ela utilizou dados secundários, cujas fontes de consulta foram o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento - SNIS e estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), incluindo o Censo Demográfico de 2010, a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) de 2000 e de 2008 e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2001 a 2011.

Em relação à distribuição da carga orgânica no Brasil por estado e por Região Geográfica diariamente, o levantamento apontou que na Paraíba são geradas 159,6 toneladas de carga por dia, sendo que do total, 68,1 toneladas/dia são coletadas e tratadas e 25,9 toneladas/dia são coletadas e não tratadas. Já a capacidade de diluição dos esgotos, o Atlas Esgotos mostra que a Paraíba tem 10 municípios (população de 1,089 milhão) na categoria ilimitada – sedes urbanas localizadas na região costeira e que atualmente já dispõem seus efluentes no mar ou possuem essa alternativa como potencial para despejo dos efluentes tratados. Já a categoria considerada ótima/boa/regular são 6 municípios (57,5 mil). Enquanto ruim ou péssima 63 cidades (547,7 mil) e nula, ou seja, nenhum em 144 municípios (1,216 milhão).

Cagepa contesta dados

Por meio da assessoria de imprensa, a Companhia de4 Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) contestou os dados da pesquisa, alegando que diferem dos índices do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).

A empresa ressaltou ainda que “está expandindo sua rede de esgotamento, no projeto de universalização do saneamento básico do Estado e que não destina esgotos em praias ou rios e que todo esgoto coletado é tratado. A companhia trabalha em ações educativas, orientando o uso correto das redes de esgotamento sanitário pela população”.

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