sábado, 24 de outubro de 2020


Edinho Magalhães
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Xadrez Político 2: o Contra Ataque sobre Aguinaldo e Maia

04 de agosto de 2020
Em coluna postada em 29 de julho, sob o título “Xadrez Político 1”, comentamos sobre os bastidores da saída do DEM e do MDB do Centrão, grupo de partidos que se uniram temporariamente em torno de 220 votos, e que vinha dando as cartas em decisões políticas e administrativas da Câmara Federal.

Discorremos que tudo ia bem até o líder do bloco Artur Lira (PP-AL) causar desconforto em outros líderes do grupo com um movimento, não ensaiado, de aproximação com o Planalto.

Para os incomodados, que preferem manter certo grau de independência do Governo e ficar sob a batuta do presidente Rodrigo Maia, não restou outra alternativa se não, a de sair do “blocão”

A essa altura não havia mais como dissociar tantos movimentos (tanto de Artur como do DEM e do MDB) de estratégias para a sucessão de Maia na presidência da Câmara.

A questão girava sobre o seguinte ponto: o líder do PP e do blocão, conta com o apoio do Governo e poderia, ainda, cooptar a direita para se viabilizar na corrida pela presidência. Era preciso reagir para evitar um ‘xeque-mate’ nos planos de Rodrigo e de seus aliados: um líder ligado ao presidente Bolsonaro comandar a Câmara.

Comentamos, então, que a saída do DEM se parecia com um movimento do jogo de xadrez chamado ‘Roque’, de defesa e contra-ataque ao mesmo tempo. E, por fim, antecipamos: “que comecem os jogos”

Pois bem, Agosto mal chegou a já tivemos mais um capítulo dessa série. Hoje veio um contra-ataque: o líder do blocão reagiu à saída do DEM e do MDB e resolveu tentar enfraquecer seu maior concorrente na disputa pela presidência da Câmara: Aguinaldo Ribeiro.

Desde a semana passada ele vinha reunindo assinaturas de pelo menos 10 líderes partidários para protocolar, junto à Mesa Diretora da Câmara, pedido de substituição de Aguinaldo do cargo de ‘Líder da Maioria’, por um deputado do PSDB, Celso Sabino.

A justificativa é que Aguinado não estaria mais representando a vontade da maioria dos partidos de centro, mas o pano de fundo é realmente uma demonstração de força do bloco visando a sucessão de Maia.

Cabe ao presidente da Câmara acatar, ou não, requerimentos dessa natureza e por sua proximidade com Aguinaldo, o movimento de Artur Lira não passará de apenas um ‘xeque’, sem potencial para um ‘xeque-mate’.

E quem conhece a dupla Maia-Ribeiro, sabe que isso não ficará sem resposta. Então: que continuem os jogos!