quarta, 19 de dezembro de 2018

Roberto Cavalcanti
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Visão de futuro

16 de agosto de 2018
Participando de reunião da Comissão Nordeste Forte, da CNI, como representante da Federação das Indústrias da Paraíba (Fiep), por delegação do seu Presidente, assisti explanação a respeito das obras federais paralisadas.

O estudo aponta 2.796 obras suspensas, sendo 18,5% do setor de infraestrutura. Em resumo, R$ 11 bilhões foram gastos sem retorno à sociedade.

Enquanto ouvia o expositor apresentar o diagnóstico do setor de transportes, fui instado a questionar sobre o porto de Cabedelo, que tem um assoreamento permanente (acúmulo de sedimentos pelo depósito de areia e detritos da calha do rio), exigindo constante dragagem.

Minha curiosidade foi resultado do conhecimento de que a última dragagem, por questões técnicas e econômicas, foi paralisada em 2012, quando faltavam apenas 10% para sua conclusão. Concluída, permitiria que oferecesse um calado de 11 metros.

Quando um porto aumenta a profundidade do seu canal, amplia o limite de calado (a profundidade atingida pelo casco do navio em função de seu tamanho e peso, nas manobras), e pode receber embarcações maiores, e com isso oferecer custo de transporte menor. Passa a ser mais competitivo.

O expositor tinha, inclusive, exibido um mapa da movimentação dos portos do Nordeste, no qual não constava o da Paraíba.

Claro que questionei a exclusão, e a explicação mexeu com meu orgulho de paraibano de coração: o porto de Cabedelo estava fora pela insignificância do seu movimento. Não constava nominalmente, mas estava incluído nos “Outros”.

De tão insignificante, não apareceu individualmente no gráfico da CNI, que reproduzo neste espaço para que os leitores também possam conferir.

Naquele momento tomei conhecimento do descaso paraibano com atividade tão importante. Mundialmente, e cada dia mais em razão da globalização, os portos têm se tornado impulsionadores do progresso.

Não haveria razão econômica para a existência de Hong Kong se não fosse o seu porto, um dos mais movimentados do mundo.

A Europa não estaria abastecida e não ganharia tanto com o comércio mundial se não fossem seus grandes portos, entre os quais destaco o de Roterdã, na Holanda.

O que seria de Singapura, a cidade-estado localizada na Península Malaia e um dos exemplos máximos de política econômica e de desenvolvimento, sem seu complexo portuário? Não possui recursos naturais nem espaço para desenvolver a agricultura, mas está entre os três países mais competitivos do mundo no ranking do Fórum Econômico Mundial.

Na evidência das ocorrências de tais registros, eu, como dependente econômico da Paraíba, acordei para a necessidade de aproveitarmos o momento para cobrar compromissos com o desenvolvimento econômico.

Falo aqui, de forma humilde, mas gostaria muito que pudesse contribuir para que, em suas plataformas de governo, os candidatos a governador da Paraíba, independente de partido e ideologia, incluíssem atividade que hoje não tem contribuído para seu desenvolvimento, mas que tem gigantesco potencial.

Apresento como sugestão foco na permanente viabilidade do porto de Cabedelo e em desencavar dos arquivos empoeirados do Estado da Paraíba o Porto de Águas Profundas, de cuja semente inicial do projeto participei tempos atrás.

Qualquer estadista - os que têm visão de futuro – acordará para a extrema necessidade da Paraíba se abraçar com o futuro.

Roberto Cavalcanti Ribeiro. Empresário e diretor da CNI

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