segunda, 10 de dezembro de 2018

Roberto Cavalcanti
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Tempo de conciliação

18 de novembro de 2018
A vida me ensinou que mudar não é fácil, seja um comportamento pessoal, seja de um grupo. Resistimos ora por comodismo, ora por oportunismo. Reagimos, principalmente, quando a novidade afeta nossas expectativas de futuro.

O Brasil decidiu mudar. Usou o voto para declarar o fim de um ciclo e o início de outro. Por uma maioria significativa, decretou ser inaceitável a convivência com a corrupção, a ineficiência e o fisiologismo ideológico que levaram à mais grave crise de sua história.

O novo caminho inclui o resgate de valores éticos e morais, o fim do ‘toma lá, dá cá’ na política e na economia, a busca da eficiência, a prevalência da meritocracia, o enfrentamento de problemas sem a opção da “maquiagem” e muito menos de rendição por pressão de grupos privilegiados em detrimento da maioria dos brasileiros.

Foi a decisão da maioria, que deseja ver o Brasil crescer e os frutos desse novo momento sendo partilhados por quem trabalha, e não por parasitas.

Uma minoria, no entanto, continua resistindo. Não quer abrir mão de benesses e privilégios. Geralmente, são retirados porque são incompatíveis com as regras de um estado republicano.

Derrotada nas urnas, essa minoria mantém o palanque armado, talvez na esperança de evitar as mudanças, ou pelo menos que não sejam tão drásticas ao ponto de inviabilizar seus projetos.

Não apenas torce contra o surgimento de um novo Brasil, mas confabula, maquina para inviabilizar o Presidente eleito, inclusive atribuindo-lhe um perfil nazi-facista e tentando associá-lo a fatos do passado dos quais não participou.

Até parte da imprensa abriu espaços para esse esforço de barrar a mudança. Personalidades resgatadas da cova ou do pé da cova, os “oitentinhas” ou que estão próximos, que têm como ídolos Fidel Castro, Che Guevara, Hugo Chaves, Evo Morales e Nicolás Maduro, para ficar só nos latino-americanos, estão sendo chamados a reviver episódios históricos como se estivessem fadados à repetição. 1964 é passado.

Uma estratégia para espalhar o medo e inviabilizar a mudança? Será que ignoram que nossos jovens se espelham em outros líderes, os que projetam e constroem o futuro, a exemplo de Steve Jobs (Apple), Mark Zuckerberg (Facebook), Bill Gates (Microsoft),  Sergey Brin e Larry Page (Google), Jeff Bezos (Amazon) e Elon Musk (SpaceX e Tesla), que iniciou nova corrida espacial?

Ao invés de ler Antonio Gramsci, admirado pela esquerda, a juventude está interessada em discutir startup, a cara do mundo de hoje, não do de ontem.

Esperei do candidato derrotado um pronunciamento de congratulações ao vencedor e de comprometimento com o futuro do Brasil, o que passa pela retomada do crescimento. É atitude própria da democracia. Ainda há tempo. Sempre é tempo de fazer o certo.

Por outro lado, no Congresso, políticos parecem determinados a testar a resolução do Presidente eleito de não negociar cargos por votos. E fazem isso depois da expressiva renovação feita pelos eleitores, justamente tentando eliminar essa prática.

Partir para confronto em momento como o que vive o Brasil? Não é hora de cultuar a discórdia e a desagregação, mas de perseguir a conciliação. O País precisa de união para superar a crise, para gerar empregos, para oferecer saúde, segurança e perspectivas de futuro.

A mudança pode até ser adiada, mas não será barrada. Com conciliação, será benéfica para todos.

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