terça, 12 de novembro de 2019

Roberto Cavalcanti
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Tarde maravilhosa

30 de junho de 2019
Poucas vezes na minha vida passei uma tarde tão encantadora e construtiva. Entendo por tarde o período entre 12h e 18h. Ressalto isso de forma até medíocre, para não deixar dúvida alguma sobre ao que estou me referindo.

Não estava de férias e muito menos em paraísos dos quais já tive o privilegio de usufruir pelo mundo afora.

Após cinco dias sem me dedicar efetivamente ao trabalho, fruto de uma sequência junina nordestina que este ano nos paralisou do dia 20 (Corpus Christi) até o 24 (São João), participei de uma reunião, marcada previamente, de desenvolvimento de um novo projeto empresarial.

Pauta impressa, fruto de conversas informais ao longo dos dias que a precederam, estávamos prontos.

Planejadamente, iniciamos almoçando juntos na mesa de trabalho. De um grupo inicial de três, finalizamos com um total de sete pessoas, que nesse seguimento consideramos os melhores quadros que dispomos.

Concentração total, item a item foram abordados, definidos e distribuídas as responsabilidades. Com tanta dedicação e concentração, os assuntos iam fluindo e as pendências sendo equacionadas. Nada fácil, soluções possíveis, sim, porém dentro de um universo macro de um Brasil difícil.

Em determinado momento, necessitávamos de uma informação externa. Só então lembrei que estava sem o meu celular e que teria que pedir apoio da secretária. Como sabia que passaria toda a tarde concentrado na reunião, pude, enfim, fazer o backup do meu telefone, que não era feito há mais de um ano. Com os riscos da insegurança que nos envolvem hoje, é procedimento que recomendo a todos.

Feita a ligação, e só então em contato com o mundo exterior, percebi a irrealidade do nosso Brasil. A informação de que tanto necessitávamos não poderia ser prestada porque o gestor de uma repartição pública federal estava, naquela terça-feira, 25, às 15h30, em plena comemoração junina, que o órgão estava promovendo para os seus funcionários, mesmo após cinco dias de portas fechadas.

Voltei à concentração interna e continuamos a dar soluções e planejar essa atividade empresarial. Eis que chega um dos convocados para uma etapa técnica da reunião, pontualmente às 16h, e com os cumprimentos de praxe, nos contamina com o mundo exterior.

“Sabem da nova? Vão soltar o Lula hoje” – anunciou, e continuou: “Em um golpe arquitetado ardilosamente, foi trazido novamente para a reunião de uma turma do STF o julgamento da suposta parcialidade de Sergio Moro.”

Fomos tomados de surpresa não pelos riscos que estávamos correndo, mas pela novidade do fato. De nada adiantaria aquele grupo de trabalho questionar, já que não poderia influir na decisão do STF, razão pela qual, voltando à realidade, chamei o feito à ordem e pedi para todos voltarem a se concentrar na pauta da reunião.

Avançamos conforme planejado e aí sim, após o horário exato pré-acordado para sua conclusão, às 18h, nos dispersamos e voltamos as nossas atividades normais.

Fica a lição: o que tem mantido o Brasil paralisado é o fato de estarmos permanentemente conectados ao submundo do radicalismo ideológico. É aceitarmos, através de redes sociais diversas, nos serem impingidas inverdades que visam desestabilizar o País.

Concentrem-se nos seus negócios, se desconectem desse mundo de radicais, saiam dos grupos de WhatsApp nos quais uma meia dúzia de ociosos ideológicos lhe massacram com textos gigantes de pregações político-partidárias de todas as nuances.

Quanto mais receberem e curtirem essas mensagens, mais os desnorteados estarão realimentando um clima de descrédito em tudo e em todos. Concentrem-se nas coisas positivas. O negativismo só provoca o atraso.

Viva minha fantástica e maravilhosa tarde de uma terça-feira, entre as quatro paredes de nossa sala de reuniões, onde planejamos gerar novos empregos, alavancar o nosso faturamento, obter lucros e produzir impostos. Deus estava comigo, me protegeu, me desconectou do mundo lá fora.

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