domingo, 16 de junho de 2019

Lena Guimarães
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Sobrevida para o porto

23 de março de 2019
Embora com localização estratégica no Nordeste, o Porto de Cabedelo perdeu relevância a partir dos investimentos feitos pelos Estados vizinhos em portos offshore - Suape (PE), Pecém (CE), e Areia Branca (RN) são exemplos - com capacidade para receber grandes navios, enquanto o nosso sofria com as limitações impostas por um calado inferior a 10 metros.

Uma primeira tentativa para aprofundar o canal de acesso ao porto foi feita no governo Tarcísio Burity, com a retirada de pedras. Depois, no governo Cássio Cunha Lima foi iniciada uma dragagem, interrompida antes da conclusão. Nos últimos anos, houve inclusive ameaça da Petrobras trocar a operação em Cabedelo por Suape.

Nesta semana, duas notícias boas para o Porto e para a Paraíba: a primeira foi a garantia dada pelo Ministério da Infraestrutura de que vai licitar a conclusão da dragagem. O governador João Azevedo foi informado de que já existem recursos da ordem de R$ 55 milhões para essa obra, que aumentará a sua competitividade ao permitir que navios maiores possam atracar em Cabedelo.

A segunda boa notícia foi que no leilão de portos, que rendeu R$ 219,5 milhões em outorgas ao governo, foram arrematadas três áreas do Porto de Cabedelo, pelo consórcio Nordeste, por R$ 54,5 milhões. Como destacou o ministro Tarcísio Freitas, o importante não é essa arrecadação, mas os investimentos que serão feitos.

A presidente da Companhia Docas da Paraíba, Gilmara Timóteo anuncia que serão da ordem de R$ 120 milhões na infraestrutura do porto, o que com certeza é importante, mas não eliminará a distância do nosso Estado em relação aos vizinhos.

Pernambuco tem dois portos marítimos, Suape e Recife; o Rio Grande do Norte tem Natal, Guamaré e Areia Branca; o Ceará tem Fortaleza e Pecém. Cabedelo também sobreviverá se a Paraíba investir em um porto offshore para atender as novas tendências do transporte marítimo, que privilegia cargas conteinerizadas.

Há uma década a Paraíba tem estudos de viabilidade para um porto moderno, com o qual poderia competir com Suape - que entre as muitas empresas, tem dois estaleiros -, mas não saiu do papel. As notícias da semana são boas, mas o futuro vai exigir mais.

TORPEDO

"Instauramos um processo de investigação para identificar o que realmente aconteceu na subestação. Esse é um caso único no Brasil; em nenhum local uma subestação como aquela, com a proteção que tem, registrou um acidente como esse."

Do governador João Azevêdo, que contratou consultoria externa para, com a Polícia, investigar o que houve na Estação Gravatá, em Campina.

Guerra da água

Como tudo vira confronto entre governo e oposição na Paraíba, não poderia ser diferente com o desabastecimento d’água em Campina Grande, provocado por explosão na estação de tratamento de Gravatá.

Boicote

O governador João Azevedo deixou no ar a possibilidade de não ter sido acidental, e de ter relação com o debate na Câmara de lei que permitiria abertura de processo para concessão do serviço de abastecimento.

Vai e volta

O prefeito Romero Rodrigues reagiu afirmando que sabotagem não faz parte da “nossa cultura política”, mas que “esse tipo de prática que ele [Azevedo] insinua fica bem a cargo de organizações criminosas”.

Xeque-Mate

A guerra da água só perdeu em repercussão para a Xeque-Mate III, que comandada pelo Gaeco e PF, prendeu o empresário Roberto Santiago e cumpriu mandados de busca e apreensão na Paraíba e Rio Grande do Norte.

À venda

A Xeque-Mate é a operação que revelou a negociação para compra do mandato de prefeito de José Maria de Lucena Filho para o vice, Leto Viana, em Cabedelo, e que apura fraude em licitações da Prefeitura.

Paz em casa

O TJPB encaminhou ao CNJ os dados e índices alcançados durante a 13ª Semana ‘Justiça pela Paz em Casa’ na Paraíba. Foram realizadas 545 audiências, prolatadas 470 sentenças e analisados 2.088 processos.

ZIGUE-ZAGUE

< Reagindo a críticas que teriam partido de aliados de Bolsonaro, o Rodrigo Maia avisou que deixaria a articulação política da reforma da Previdência, na Câmara.

> No Chile, Jair Bolsonaro disse que não deu motivo e que está aberto ao diálogo com o presidente da Câmara, que disse continuar defendendo a reforma.

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