sexta, 20 de setembro de 2019

Lena Guimarães
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Só começou

12 de setembro de 2019
Um dia após conseguir a presidência da Comissão Provisória que vai comandar o PSB, rejeitada pelo governador João Azevedo e pela maioria dos que têm mandatos no partido e já admitem troca de legenda, o ex-governador Ricardo Coutinho vê seu irmão, Coriolano Coutinho transformado em réu em processo que trata de esquema de desvio de dinheiro e propina na Prefeitura de João Pessoa, quando era o prefeito.

Coriolano foi delatado pela ex-secretária de Administração Livânia Farias, que esclareceu para o Gaeco/MPPB a origem de R$ 81 mil apreendidos em 2011, junto com indicações dos beneficiários e respectivos valores, e como o inquérito do caso sumiu.

Livânia contou que Gilberto Carneiro (ex-procurador-geral) propôs e ela concordou em fazer contrato, com dispensa de licitação, com o escritório de advocacia Bernardo Vidal Advogados, para recuperação de créditos tributários. Eles recebiam altos honorários e garantiam aos dois e mais Laura Farias e Coriolano (o dele seria para saldar contas de campanha), pagamentos mensais. O Gaeco estima que o esquema teria causado prejuízo de R$ 49 milhões aos cofres públicos.

A exposição do irmão é mais uma preocupação para Ricardo Coutinho em momento em que terá que evitar uma debandada grande do PSB, a possibilidade de perda do governador do Estado e do presidente do Legislativo, além de deputados, prefeitos e vereadores.

A parte das OS da Saúde - principalmente a Cruz Vermelha - na Operação Calvário, com gravações que provariam destinação de recursos para a campanha de 2014, também é aguardada.

Os problemas são enormes, mas erra quem acha que Ricardo Coutinho está acuado. Em entrevista a Serra Branca FM, antecipou o discurso de contraponto a João Azevedo e seguidores, focado em ingratidão e deslealdade.

Disse que o partido estava se burocratizando e que ficaria pior com Edvaldo Rosas ocupado no governo. Que dará um choque de renovação, e que se nesse processo perder alguns, “tem nada não, perderá gordura, ganhará músculos”.

Ele lamentou a recusa de João e Veneziano de comporem a Comissão Provisória com ele, e disparou: “Quer dizer que eu sirvo para eleger senador, para eleger um governador que há quatro meses da eleição tinha 2% de conhecimento... mas não sirvo para presidir o partido que construí ao longo desse tempo todo?” Esse imbróglio só começou.

TORPEDO

"Eu expressei minha opinião e disse que achava que, uma vez Edvaldo no governo, o momento político pedia na presidência do partido alguém experiente, para fortalecer o partido. Fiz de forma sincera. Expressei essa minha posição ao governador João Azevêdo."

Da deputada Cida Ramos, sobre a acusação de que seria uma das responsáveis pela crise no PSB, feita pelo líder Ricardo Barbosa.

A lista

Já está com o governador João Azevedo a lista tríplice para procurador-geral do MP de Contas, composta por Manoel Antônio dos Santos Neto, Isabella Barbosa Marinho Falcão e Marcílio Toscano Franca Filho.

Projeto

O vereador Bruno Farias lança, hoje, em café da manhã, o projeto “Pensando JP”, que segundo ele objetiva estimular o debate, provocar os cidadãos a pensarem sobre sua cidade e seu bairro e coletar informações.

Bullyng

Lamentável a reação da deputada Estela Bezerra à participação do jornalista Thiago Moraes em entrevista coletiva que concedeu ontem. “Logo Thiago, minha gente? Vocês acham bom isso? Acham sensato”.

Bullyng 2

As palavras da deputada podem sugerir outra coisa, mas trata-se de um profissional competente e que tem a coragem de perguntar o que alguns políticos não querem responder. Lamentável a reação de Estela.

Médicos

O deputado Ruy Carneiro está entusiasmado com o programa Médicos Pelo Brasil, que tramita em Comissão Mista de deputados e senadores, da qual é presidente. Ele insistiu em mais vagas para Norte e Nordeste.

Cidades

“A comissão está conseguindo cumprir com o propósito de melhorar o texto de criação do Médicos pelo Brasil, garantindo que a maior parte dos médicos contratados vá atuar nas cidades mais pobres do país”, festejou.

ZIGUE-ZAGUE

< O secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra foi exonerado do cargo porque admitiu que o governo proporia um nova CPMF na reforma tributária.

> Bolsonaro comentou exoneração no twitter e garantiu: “A recriação da CPMF ou aumento da carga tributária estão fora da reforma tributária por determinação do Presidente”.

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