quinta, 12 de dezembro de 2019

Roberto Cavalcanti
Compartilhar:

Roberto e Octávio

21 de março de 2019
Não sou realmente um ser digital. Fui gerado, moldado e educado em um mundo analógico. Como não posso ficar 100% obsoleto, interajo pelos canais atuais, dentre os quais o e-mail.

Amanheci como em anos anteriores, curioso em ver como estava a barra do dia no amanhecer de 19.03.19, o dia de São José. A sábia crendice popular tem essa data como referência meteorológica de como será nosso futuro regime de chuvas.

Ao fotografar o fantástico amanhecer, percebi que meu celular continha uma nova mensagem não lida. No topo da chamada estava gravado “Veículos”. Aficionado pelo automobilismo, pensava tratar-se de notícias e imagens sobre o segmento. Que linda surpresa eu tive. Era o persistente leitor e colaborador do jornal Correio, Octávio Caúmo, o qual tem comigo um crédito de delicadeza.

Percebi que, não atuante navegador do mundo digital, não vinha respondendo as suas atenciosas mensagens desde 28.09.2014. Imperdoável! Peço permissão para tornar pública, nesse momento, a sua mensagem.

“Boa noite, Dr. Roberto. Sou colaborador eventual do Opinião no Correio da Paraíba, graças à atenção, entre outros, do estimado Kubi Pinheiro. Procuro valorizar o espaço que me oferecem, tentando fazer textos de utilidade.

Como faço poemas, e sou adepto especialmente do soneto, obra prima dos estilos poéticos, sugiro que uma vez por semana (penso que basta) o jornal oferecesse um pequeno espaço para que os poetas divulgassem seus versos, com a condição de que levem algum tipo de mensagem otimista para contrabalançar com as notícias do mundo cão que fervilham na mídia.

Ofereço-me para fornecer meus versos, versos antológicos de outros autores e também para revisar ou selecionar o que vale à pena ser divulgado, caso terceiros enviem seus trabalhos diretamente para a redação”.

Octávio Caúmo ilustrou a proposta anexando um dos seus poemas, “A faxina”.

“Aquele que por si tem autoestima,/ Aplique o mais que possa no perdão./ Para ter serenado o coração,/ Promova sempre n´alma uma faxina!/ Tristeza acumulada, a oração/ Ajuda a eliminar de sua rotina;/ Mas o perdão é uma matéria prima/ Que é vital para a nossa evolução...”

E continua: “Expulse cada mágoa que acumula,/ Senão o seu caráter se macula/ Devido ao azedume que o maltrata.../ Cultive a sua consciência bem tranquila,/ Pois senão essa dor o aniquila,/ Já que veneno de ódio também mata!”

Antes de enviar o e-mail, recomendou o site www.ocaumo.wordpress.com no qual poderia encontrar “pequena amostra” da sua produção diária, e gentilmente acrescentou: “Grato pela atenção e parabéns pelo seu trabalho em todas as áreas onde atua. Na altura dos meus quase 85 só desejo colaborar. Não há interesse financeiro”.

Volto ao meu texto para em primeiro lugar agradecer e desculpar-me. Que lindo, que fantástico assistir, na plenitude dos seus 85 anos, um talento compor um poema a cada dia.

Que lindo toque de singeleza e humildade, exemplares, está inserido em suas palavras. Despertou profunda admiração em quem luta para escrever apenas duas vezes por semana e acha que é muito.

Como sempre, vivo de exemplos. Esse seu é um deles. Obrigado, amigo Octávio, por ter iluminado o meu dia de São José.

Levarei suas sugestões à editoria do jornal Correio. Encho-me de satisfação ao constatar que estamos cumprindo uma das nossas missões, que é preservar e estimular a cultura literária da minha querida Paraíba.

Relacionadas