sábado, 21 de setembro de 2019

Lena Guimarães
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Retrocesso

16 de agosto de 2019
Enquanto eram conhecidos os depoimentos que compõem a delação de Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil nos governos Lula e Dilma, apontando propinas de R$ 333,59 milhões em 12 anos de governos do PT, a Câmara Federal, em votação simbólica, aprovou a Lei que pune Abuso de Autoridade, proposta pelo senador Roberto Requião, defendida por Renan Calheiros e outros que viam na Lava Jato um problema.

Palocci revelou existência de contratos fictícios, criação de fundos de investimentos, fusões e elaborações de Medidas Provisórias para favorecer grandes empresas, liberações de recursos do Banco do Brasil e do BNDES e doações por meio de caixa 2. Apontou não só empresas, mas também bancos foram beneficiados.

Não deveria mais surpreender, mas é inevitável, em razão do volume de dinheiro desviado, e também pelo fato de ser um homem que foi da inteira confiança de Lula e do PT quem está revelando, com detalhes, um esquema que ele mesmo chama de organização criminosa.

O natural seria que nossos representantes, diante de mais provas, dessem prioridade ao pacote anticrime que tramita na Câmara, e não ao que pode restringir atuação das forças que combatem a impunidade.

Vejam o que disse a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, sobre aprovação da proposta: "A agilidade imposta para priorizar o projeto implica uma inversão de pauta que contraria os anseios da sociedade. Ao invés de votar os projetos de lei que reforçam o combate à corrupção, às organizações criminosas e à impunidade, os parlamentares optaram por votar um texto que pode, eventualmente, inibir a atuação dos agentes encarregados de combater a corrupção".

O deputado Capitão Augusto (PL), relator do pacote anticrime, disse que fere de morte as polícias. A bancada do Novo na Câmara anunciou que vai ao STF contra a votação do projeto, porque Rodrigo Maia não cumpriu o rito ao ignorar que havia número de deputados suficientes pleiteando votação aberta. O senador Alessandro Vieira (Cidadania) usou o Twitter para fazer apelo por veto de Bolsonaro.

A Câmara até que ia bem no esforço para recuperar sua imagem. Pode ter jogado tudo fora. A opinião pública continua apoiando a Lava Jato e Sérgio Moro é o mais popular do Brasil, segundo pesquisa do Atlas Político.

TORPEDO

"Eu não vejo motivo algum para que a chegada de Edvaldo Rosas dentro do governo traga tanto dissabores dentro do partido. Eu não tenho visto desta forma." Da deputada Pollyanna Dutra, descartando possibilidade de apoiar movimento pela renúncia de Edvaldo Rosas da presidência do PSB.

Não disse. O secretário de Saúde, Geraldo Medeiros divulgou nota esclarecendo que não disse na Assembleia que houve pagamentos em duplicidade à Cruz Vermelha, nem que gestão própria é mais barata que as das OS.

Tudo igual. Sustenta que “os custos são semelhantes”, pois nas unidades com gestão própria as folhas de pessoal são realizadas pela Administração e os contratos de manutenção pela SES, o que não ocorre com as OS.

Vixe! A SES confirmou sindicância para apurar denúncias de perseguição e assédio moral no Hospital Clementino Fraga. Servidores acusam gestoras que seriam aliadas da deputada Estela Bezerra (PSB).

Negócios. O prefeito Jarques Lúcio já divulga o evento “Rede de negócios” que será realizado nos dias 8 e 9 de setembro, em São Bento. Vendas pelo Instagram é uma das palestras que devem lotar Shopping das Redes.

Infraestrutura. O deputado Cabo Gilberto foi confirmado presidente da Frente Parlamentar que vai defender duplicação da BR-230 até Cajazeiras. Disse esperar que Bolsonaro “pague a dívida” do governo para com a Paraíba.

Segurança. A expansão do Projeto Acesso Seguro do TJPB vai beneficiar várias comarcas. Já foram enviados computadores, webcans e crachás de identificação para as unidades judiciárias de Campina e mais 5 cidades.

ZIGUE-ZAGUE

-O vereador Marcos Henriques (PT) tentou, mas a Justiça negou mandado de segurança para suspender concessão do título de Cidadão Pessoense a Jair Bolsonaro.

-O vereador sustentou que o título foi aprovado sem os votos exigidos por lei (2/3). A juíza disse que a jurisprudência dos Tribunais respeita a autonomia dos poderes.

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